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Cinema

A nova versão de “A Bela e o Monstro” é feminista. Mas a de 1991 também era

Os gays e os negros fazem parte do guião. O novo filme de "A Bela e o Monstro" é uma versão atualizada do filme original da Disney. Mas a versão de 1991 era já uma adaptação aos seus tempos.

Ao longo de mais de dois séculos, o conto “A Bela e o Monstro”, de Gabrielle-Suzanne Barbot, foi reescrito e várias vezes adaptado à sétima arte. Mais do que ao cinema ou ao teatro, a história foi sendo ajustada aos vários contextos sociais. A versão cinematográfica produzida pela Walt Disney Feature Animation, em 1991, não foi a primeira mas era já na altura uma adequação aos novos tempos.

Era, na verdade, um filme de animação feminista. É difícil de acreditar. Especialmente em comparação com as últimas princesas da Disney, Elsa e Anna de “Frozen”, essas sim consideradas heroínas verdadeiramente emancipadas. Mas a par da história de amor com o Monstro, Bela é também uma jovem independente.

As provas estão no guião. Bela não se deixa levar pela beleza exterior, nem pela riqueza do príncipe Gaston. Apaixona-se pela personalidade de um homem de aspeto monstruoso, indo contra os padrões da sociedade. Para além disso, procura expandir os seus horizontes culturais e intelectuais, devorando livros e bibliotecas.

Emma Watson não vai, por isso, trazer uma reviravolta feminista à personagem. Vai apenas seguir as características originais de Bela mas com adaptações à atualidade. Na mais recente versão de “A Bela e o Monstro”, a estrear na próxima quinta-feira, a atriz, ligada à luta pela igualdade de género, é a protagonista. O realizador Bill Condon admite que algumas das alterações foram baseadas na própria Emma Watson, como explica ao Telegraph: “Obviamente, muito aconteceu em 25 anos. Quisemos ter a certeza de que ela [a Bela] permanecia uma figura feminista e alguém que olhasse para o futuro”.

Nem todos os ajustes à realidade atual são de âmbito feminista. Na verdade, o mais impactante é a introdução de uma personagem gay no filme. Trata-se de LeFou, empregado de Gaston, que está apaixonado pelo patrão. Mas não é o único. A homossexualidade está presente também noutras personagens secundárias.

O primeiro momento gay da Disney na “Bela e o Monstro”

A igualdade é também abordada. Embora menos evidente, a introdução de personagens de raça negra é outra novidade da mais recente versão da Disney. Mas essa revelação só é feita no final do filme quando o feitiço que transformou os empregados do castelo em objetos animados é quebrado. No retorno à sua condição humana, descobre-se que algumas personagens são negras, algo impercetível ao longo do filme.

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