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França

Foram os tios-avós que mataram o pequeno Gregory. Um mistério que levou a 32 anos a desvendar

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Um mistério que demorou 32 anos a desvendar e que há décadas fascina os franceses, pelos piores motivos. Terão sido, afinal, os tios-avós a matar o pequeno Gregory, de 4 anos, por inveja dos pais.

DR

Gregory não tinha ainda feito cinco anos de idade quando foi encontrado morto, em 1984. Tinha as mãos e os pés atados e tinha sido afogado no rio Vologne nas Montanhas Vosges, em França. O mistério, que há décadas fascina os franceses, pelos piores motivos, parece ter chegado a uma conclusão esta semana. Dois tios-avós de Gregory, hoje com mais de 70 anos, foram detidos pela polícia depois de uma investigação que os aponta como culpados pela morte da criança. O motivo? Inveja dos pais, que tinham sido promovidos no emprego.

Mais de trinta anos depois, Jacqueline Jacob, 72 anos, e o seu marido, Marcel Jaboc, 71 anos, foram acusados de terem raptado a criança, que viria a aparecer morta mais tarde. O casal, que foi preso na quarta-feira e acusados na sexta-feira, nega qualquer responsabilidade — mas continua detido. O Ministério Público está convencido de que as rivalidades familiares levaram Jacqueline e Marcel a cometer o crime — e, 32 anos mais tarde, não têm qualquer álibi que “possa ser confirmado”.

E como é que, 32 anos depois, a acusação chegou até Jacqueline e Marcel? Com métodos inovadores de peritagem. Analistas voltaram a escrutinar várias cartas anónimas e mensagens de voice mail ameaçadoras que o pai da criança, Jean-Marie Villemin, recebeu antes e depois da morte da criança, como explica o The Telegraph.

O momento em que o corpo de Gregory foi recolhido. Imagem: Bizarrepedia

Graças às técnicas de investigação, foi possível determinar que quem fez as chamadas de voz eram um homem e uma mulher. O recurso à tecnologia de inteligência artificial, através do programa Analyst’s Notebook, ajudou a situar os suspeitos no tempo e no espaço, para detetar inconsistências nas pistas recolhidas e nos depoimentos dos próprios. Foram, ainda, analisadas 400 provas de ADN e duas mil cartas.

Nestas cartas foram examinadas a caligrafia e a construção linguística e frásica, o que orientou as suspeitas no sentido de Jacqueline Jacob, a tia-avó. Apesar destes avanços, o advogado do casal, Stephane Giuranna, afirmou, esta sexta-feira, que “não há prova material (contra eles), nada”.

O procurador do Ministério Público de Dijon, Jean-Jacques Bosc, acredita que a criança terá sido raptada dos pais e mantida em clausura durante algum tempo. O que não foi possível provar é que o casal de tios-avós tenha sido o autor material do homicídio, mas a argumentação de Bosc é que sem o rapto não teria havido a morte.

Além dos tios-avós, também a cunhada do pai da criança, Ginette Villemin, 61 anos, esteve detida para interrogatório, mas foi libertada na quinta-feira. As autoridades questionaram, ainda, os avós paternos da criança, que moram na zona de Vosges, onde a criança foi encontrada, como potenciais testemunhas.

Na altura da descoberta do corpo, acreditava-se que o culpado do crime seria o primo Bernard Laroche, que entretanto foi assassinado, em 1985, pelo pai da criança, por estar convencido de que tinha sido este o culpado. Jean-Marie Villemin foi acusado deste crime e permaneceu preso por quatro anos — não se sabe, nesta fase, se o primo esteve ou não envolvido. A mãe da criança, Christine Villemin, foi considerada suspeita mas foi dispensada da investigação em 1993.

A investigação para encontrar os responsáveis pela morte de Gregory Villemin, 4 anos, foi reaberta por duas vezes, em 1999 e, novamente, em 2008.

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