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O granel biológico e saudável está na moda e a crescer no Porto

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É cada vez mais fácil ir às compras sem trazer embalagens de plástico. O espaço de venda a peso mais recente chama-se Mongu, tem cerca de 120 produtos diferentes e serve refeições saudáveis.

A Grão & Granel fica ao lado do Centro Budista do Porto.

© Igor Martins / Global Imagens

A moda é cíclica e não é só a que vestimos. Se na geração dos nossos pais e avós as compras eram maioritariamente feitas a granel, nas mercearias de bairro, hoje em dia, na era dos hipermercados, há quem esteja a remar contra a maré. Contra o desperdício das embalagens de plástico em excesso mas também contra os alimentos processados. Esta filosofia está a trazer de volta as lojas que vendem os cereais, os chás, os frutos secos, as leguminosas e as especiarias ao peso, sem estarem embaladas. No Porto acabam de abrir mais uma: a Mongu, Granel, Sabor & Saúde.

“Achámos que o Porto tinha um défice de alimentação saudável”, diz ao Observador Tiago Jesus, brasileiro e responsável pelo espaço. A morar há sete meses na Invicta, foi no passado dia 20 de maio que abriu a Mongu, na Rua 15 de Novembro, junto à Casa da Música. Misto de loja restaurante, ao todo encontram-se ali “120 produtos” diferentes, todos biológicos, entre condimentos, chás, cereais, leguminosas, frutos secos e desidratados. Como o anis moído, a curcuma, o caril vermelho picante, as bagas de zimbro e a rosa mosqueta. E as várias frutas desidratadas, cada vez mais em voga.

O Mongu fica junto à Casa da Música. A loja tem saquinhos de papel, mas o ideal é que os clientes levem os seus recipientes, para não haver desperdício. O ambiente agradece. © Sara Otto Coelho / Observador

O pó de uma cor rosa bem viva é a beterraba em pó. “É boa para fazer gnocchi“, explica Tiago. “Pode colocar em massas e em saladas, por exemplo.” Para quem não sabe para que serve determinado alimento, o responsável está agora a adicionar novos rótulos a cada recipiente do granel, com uma explicação do que faz e para que serve.

Do lado direito da loja há ainda uma cozinha, mesas e cadeiras para 25 pessoas. É que a Mongu também serve pequenos-almoços, almoços e jantares para grupos, sob marcação. No próximo mês já conta ter o espaço, que hoje em dia encerra às 19h00, aberto ao jantar também. Para o pequeno-almoço o cliente recebe uma tigela vazia, que deverá encher com cereais a seu gosto. Depois, adiciona a fruta desidratada que quiser e uma de três opções de leite: de soja, de aveia ou o normal, de vaca. Preço: 3,50€.

Tiago Jesus também trouxe um pouco a sua cultura para Portugal. Açaí há todos os dias (com fruta natural ou fruta desidratada para comer ali ou levar para casa), e tapioca também (com ou sem recheio). Aos sábados ao almoço, o prato é sempre o mesmo: feijoada brasileira, de porco ou vegana.

Nas etiquetas vem sempre a data de validade e a proveniência do produto. © Sara Otto Coelho / Observador

Sim, porque na Mongu todos os dias há um prato vegetariano diferente, mas também se serve carne (de frango ou peru) e peixe. Sopa, prato e um chá do dia ou água aromatizada custam 6€ durante a semana e 8€ ao sábado. “Não utilizamos óleo na cozinha, só óleo de coco”, explica o responsável. “E confecionamos aqui tudo, até a bolacha do café.” No futuro, Tiago Jesus quer ocupar a loja de cozinhas do lado para ali fazer um restaurante.

Aproveitando o interesse crescente pelo granel, no final de fevereiro abriu O Biosque, no número 45 da Praça da República. Onde antes estavam os jornais e as revistas de um quiosque estão agora 51 recipientes transparentes, cheios de aveia, arroz integral, frutos secos, fruta desidratada, quinoa, millet, granola e tudo o que mais couber, desde que biológico. Para adoçar a boca há gomas vegetais, sem adição de açúcar, arando em chocolate negro, cacau, pó de alfarroba, açúcar de coco e rapadura.

O Biosque também abriu este ano e fica na Praça da República, nº 45. © Sara Otto Coelho / Observador

Em janeiro abriu a Toca do Granel, na Rua da Constituição. Apresenta-se como uma loja de produtos biológicos cuja principal preocupação é “a qualidade dos alimentos”, que “devem ser bons, mas bons para a saúde, bons para o meio ambiente”. Para além da venda de produtos como leguminosas, legumes desidratados, chá e especiarias, também ali se organizam workshops. O próximo, agendado para o dia 1 de julho, é sobre probióticos caseiros e vai ensinar a cultivar e cuidar de diferentes culturas, como kombucha, kefir, chucrute e iogurte, bem como incorporá-las na alimentação do dia a dia.

Outros espaços que vendem a granel:

Grão & Granel. Rua S. João Bosco, 357 (Ramalde)
Raw. Rua Heróis de França, 601, Matosinhos (a 150 metros da praia e do metro de Matosinhos Sul). 91 727 3653
Ideal Bio. Rua 5 de Outubro, 352 (Boavista). 22 609 1873
Pão Nosso. Rua Barão São Cosme 187 (Baixa). 22 405 9817
Mercearia do Bolhão. Rua Formosa, 305 (Bolhão). 22 208 2912
Casa Natal – Rua Fernandes Tomás, 833 (Bolhão). 22 205 2537
Pérola do Bolhão – Rua Formosa, 279 (Bolhão). 22 200 4009
Mercearia do Miguel – Rua do Passeio Alegre, 130 (Foz). 22 011 6889
Pretinho do Japão – Rua do Bonjardim, 496A (Bolhão).

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