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Viagens à Oracle e Huawei. Os problemas são éticos ou legais? 15 respostas para perceber os casos

Agosto 201731 Agosto 2017
Cátia BrunoJoão Francisco Gomes

O que esperam ganhar as empresas com este tipo de convites?

Pergunta 4 de 15

Contactada pelo Observador em julho, a Huawei justificou o facto de receber várias delegações “de entidades públicas e privadas” na sua sede com o objetivo de demonstrar como “potenciar as redes de telecomunicações”, tendo em conta “os planos nacionais e locais de desenvolvimento de tecnologias de informações e comunicações”. A empresa chinesa é conhecida pelas suas táticas agressivas, por vezes referidas como uma aproximação “holística, numa estratégia do tipo Arte da Guerra”, o tratado militar chinês que aconselha a conhecer bem os inimigos.

Quanto à Galp, a empresa explicou que o pagamento das viagens é um tipo de iniciativa “comum e considerado aceitável no plano ético das práticas empresariais internacionais” e reforçou que o seu único objetivo era o de “fomentar o espírito de união em torno da Selecção Nacional, cujos valores se coadunam com os da marca Galp”.

Luís Sousa, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e especialista em combate à corrupção, define ao Observador o objetivo das ofertas de viagens por parte de empresas privadas como o de “tornar mais pessoal a relação entre o decisor de uma área que diz respeito à empresa”, ressalvando que a escolha de enviar convites a pessoas que ocupam cargos como o de diretor de compras ou de diretor de comunicação não é por acaso. “Há o poder executivo, mas também há o poder de promoção e de influência.”

Para o especialista, o uso destas táticas com titulares de cargos públicos explica-se pelo facto de o mercado público ser “um mercado cobiçado, mas escasso”. “A concorrência é muita e as prendas são uma forma de ganhar um competitive edge sobre a concorrência”, diz, explicando que o objetivo é conseguir proveitos a longo prazo. “Uma pessoa não se vende por uma caixa de robalos, uma viagem a Paris ou a um jogo de futebol, mas este contínuo apaparicar acaba por facilitar uma série de contactos, alertas ou vistas grossas sobre determinados assuntos”.

Já o jurista Paulo Otero, professor catedrático de Direito Administrativo e Constitucional, crê que estas são práticas legítimas das empresas. “Elas fazem o que todas as empresas procuram fazer: influenciar decisores”, declara. “O problema está nos decisores que se deixam capturar por essas situações.”

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