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A última oportunidade para Pinto da Costa

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Detesto desculpas. Quando ganhava, o Porto era de longe o melhor. É tempo de os portistas reconhecerem a verdade. O Porto é o culpado de nada ganhar desde 2013. O Benfica foi melhor e merece o tetra.

Como adepto do F.C. Porto, sou um admirador e defensor de Pinto da Costa. A transformação Porto, de um clube regional num grande europeu, deve-se em grande medida ao seu presidente. Com ele à frente do clube, ganhámos 20 campeonatos, 12 taças de Portugal e 19 supertaças. Entre estes títulos, temos três tris, dois tetras e um penta. Mas o Porto também venceu na Europa. Duas vezes campeão europeu, duas taças UEFA/Liga Europa, uma supertaça europeia, e duas vezes campeão mundial. Isto faz do Porto o clube português com mais vitórias internacionais. E faz de Pinto da Costa o dirigente português e europeu com mais títulos alcançados. Um feito notável e histórico. Há um Porto pré-Pinto da Costa e um Porto pós-Pinto da Costa.

No entanto, nas últimas quatro épocas, o Porto nunca foi campeão e apenas venceu uma supertaça nacional. Uma miséria. Nunca Pinto da Costa tinha ficado tanto tempo sem ganhar um campeonato; e é necessário recuar ao início da década de 1980 para encontrar um período tão longo sem o Porto campeão. E não vale a pena arranjar desculpas com árbitros. Quatro anos de fracassos não se explicam com arbitragens. Sempre me irritou ouvir os benfiquistas e os sportinguistas atribuir as vitórias do Porto ao “sistema”. Prometi nunca fazer o mesmo. Detesto desculpas. Quando ganhava, o Porto era de longe o melhor. Está na altura de os portistas reconhecerem a verdade. O Porto é o culpado de nada ganhar desde 2013. E o Benfica tem sido o melhor e merece o tetra. Custa muito admiti-lo, mas é a verdade. Sendo um portista de Lisboa, tenho muitos amigos benfiquistas e deixo-lhes aqui as minhas felicitações.

As desculpas não explicam as derrotas, mas impedem entender os verdadeiros problemas. O Porto costumava ser um exemplo de boas contratações. O que aconteceu ao clube que contratava em Portugal jogadores como o Deco, o João Moutinho, o Pepe, o Quaresma, o Fernando, o Bosingwa, o Zahovic, o Drulovic e tantos outros? E onde está o Porto que descobria fora de Portugal craques como o Lucho Gonzalez, o Lisandro, o Falcão, o Hulk, o James Rodriguez, o Jackson Martinez, o Alex Sandro, o Alvaro Pereira? E podia continuar com muitos outros. Como se explicam contratações como o Osvaldo (ainda se lembram?), o Depoitre, o Adrian Lopez, o Jose Angel, o Suk, o Marega e tantos outros nos últimos anos? Mais uma vez, a verdade é clara. O Porto deixou de ser o melhor clube a descobrir talentos. Também aqui o Benfica foi melhor nos últimos anos.

O Porto foi campeão de juniores nas últimas duas décadas. O Porto B, na temporada passada, conseguiu o feito único de vencer a segunda liga. Por que razão, o Benfica e o Sporting aproveitam mais jogadores das equipas jovens do que o Porto? Não se entende. Nos últimos quatro anos, o Porto tornou-se um entreposto de jogadores. Compra mal e caro. E não aproveita os jogadores feitos no clube. Muita gente terá ganho muito dinheiro, mas o clube ficou a perder.

Mas onde Pinto da Costa tem errado de um modo invulgar é na escolha dos treinadores. Onde está o presidente que acertava quase sempre nos treinadores? Por que razão Paulo Fonseca foi escolhido em detrimento de Leonardo Jardim? O velho e bom Porto nunca teria deixado Jardim sair de Portugal sem passar pelo clube. De onde veio a brilhante ideia de contratar Lopetegui? Um treinador que em quase dois anos nunca entendeu a cultura do Porto. Um treinador que bateu o recorde de más contratações e que afastou Quaresma, o melhor jogador do Porto na altura. Veio para Portugal como quem vai para um país atrasado e achava que, para ser campeão, lhe bastava trazer uns jogadores espanhóis de categoria duvidosa.

Depois de Fonseca e de Lopetegui, veio Nuno Espirito Santo. Com passado de jogador no clube, mas com poucas provas dadas como treinador. Uma época razoável no Valência e um despedimento no segundo ano. Pareceria evidente que quem não serve para o Valência, não deve ser contratado pelo Porto. Apesar de ter aproveitado alguns jogadores e da equipa ter jogado razoavelmente bem durante alguns períodos, Nuno falhou nos momentos decisivos. Nos últimos 7 jogos, num período decisivo do campeonato, o Porto empatou 5 jogos. O Benfica nem sequer fez um grande campeonato (tem seguramente a pior equipa dos últimos 4 anos), e permitiu que o Porto chegasse ao primeiro lugar. Como foi possível, depois do empate do Benfica em Paços Ferreira, o Porto empatar no Dragão com o Setúbal? Depois do empate do Benfica em Alvalade, um novo empate em casa com o Feirense? Quem não aproveita estas oportunidades, não merece ser campeão. Um treinador ganhador não teria falhado. E no último jogo contra o Maritimo, na Madeira, uma vitória do Porto teria posto o Benfica sob pressão. O Porto falhou mais uma vez, com Nuno a inventar, colocando o Herrera em vez do André Silva a jogar. O Porto do Nuno Espirito Santo joga para não perder. Não joga para ganhar. Estive na Luz, e senti vergonha de ver os jogadores celebrarem um empate como se fossem o Estoril. Que saudades do Porto do Villas Boas, que ia jogar à Luz para ganhar, e ganhava.

Na próxima época, Pinto da Costa tem a última oportunidade para acertar na contratação do treinador. Mais uma época sem nada vencer e a questão da sucessão do presidente deixará de ser evitada. Foi Pinto da Costa que habituou os portistas a serem exigentes. Se mereceu os louros pelas vitórias, deve ser responsabilizado pelas derrotas. Um quinto ano seguido sem vitórias será inaceitável e indesculpável.

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