Portugal conseguiu hoje vender 1.250 milhões de euros de dívida a três e 12 meses, com os juros a subirem ligeiramente no prazo mais longo, apesar de a procura ter sido maior.

De acordo com a agência que gere a dívida pública portuguesa, o IGCP, Portugal conseguiu vender mil milhões de euros em dívida a doze meses, pagando uma taxa de 0,617%.

Há pouco mais de um mês, a 16 de abril, Portugal tinha ido ao mercado para vender 925 milhões de euros de dívida neste mesmo prazo, mas os juros foram ligeiramente mais baixos: 0,597%.

Em sentido contrário, os juros caíram no leilão a três meses. Pelos 250 milhões de euros colocados hoje, o Estado paga uma taxa de 0,432%, quando no último leilão de prazo semelhante os juros se tinham fixado nos 0,462%. O último leilão a três meses foi realizado a 19 de fevereiro, e nessa altura a procura foi mais alta – 6,3 vezes a oferta – do que no leilão de hoje – 5,66 vezes a oferta.

O leilão surge numa altura em que os juros exigidos pelos investidores no mercado secundário estão em subidas consecutivas, não só de Portugal mas outros como a Itália, Espanha e Irlanda, com os receios dos investidores de nova crise política na Grécia e dos resultados das eleições europeias, que se realizam no domingo em muitos países.

Ainda assim, o diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa, Filipe Silva, considera que estas subidas não afetaram o resultado do leilão de hoje e que a dívida portuguesa continua a ser vista como um bom investimento.

“As variações nas taxas foram muito pequenas – quer a descida nos 3 meses, quer a subida nos 12 meses são quase insignificantes. A maior pressão nos juros da dívida a 10 anos dos últimos dias, que foram acima dos 4%, mas hoje já desceram, não teve qualquer influência. Portugal continua a apresentar um binómio risco/retorno muito interessante para os investidores, o que justifica a elevada procura. Os leilões correram com normalidade o que, tratando-se de Bilhetes do Tesouro (dívida de muito curto prazo), não é grande surpresa.”

Tiago da Costa Cardoso, gestor da XTB Portugal, considera que esta subida traduz apenas uma “correção proporcionada pelos eventos de risco que se avizinham, não havendo de todo algum perigo de inversão da tendência de queda”.

O responsável explica que entre estes eventos estão os riscos que os investidores estão a ver nas eleições europeias, assim como receio em torno da instabilidade em alguns governos de coligação, como é o caso da Grécia.