Nigel Farage (Ukip) e Beppe Grillo (M5S), de um lado, Marine Le Pen (FN), Matteo Salvini (Liga Norte), Heinz-Christian Strache (Partido da Liberdade austríaco), Wilders (PVV) e Gerolf Annemas (Interesse Flamengo), de outro. Os líderes dos partidos eurocéticos estiveram reunidos quarta-feira em Bruxelas para discutir a formação de dois blocos representativos destas forças partidárias no Parlamento Europeu.

Os líderes do Ukip e do M5S trocaram sorrisos, piadas e palmadinhas nas costas e podem ter ficado próximos de aliar os dois partidos no grupo parlamentar de Farage.

Pietro Salvatori, jornalista do Huffpost Itália, escreve que a química que imediatamente se desenvolveu entre os dois surpreendeu os britânicos.

Numa reunião de duas horas, Farage e Grillo discutiram os termos de uma possível colaboração, com o independentista do Reino Unido a sublinhar que todos os partidos políticos que ingressem no bloco do Ukip poderão votar como entenderem e fazer campanha eleitoral com autonomia. “Uma associação flexível”, disse Farage e acrescentou: “Beppe, vamos fazer um grupo aberto”.

Uma fonte do Ukip citada pelo jornal La Repubblica confirmou que Grillo e Farage discutiram uma possível aliança e que apesar de os dois terem um bom relacionamento ainda não há certezas quanto à possibilidade de fazerem parte do mesmo bloco no PE.

O Ukip e o M5S têm posições diferentes em determinados assuntos e este encontro terá feito emergir essas divergências, escreve Salvatori. Farage quer um referendo para que o Reino Unido deixe a União Europeia. Grillo quer um referendo para que a Itália saia do euro. O líder do M5S tem insistido muito na defesa das energias renováveis e o líder do Ukip é um forte adepto do nuclear. Quando Grillo falou dos eurobonds, Farage fez-se de surdo, continuou o jornalista italiano.

Beppe Grillo estabeleceu uma condição para a aliança: que o nome do grupo deixe de ser Europa da Liberdade e Democracia, uma vez que na anterior legislatura do PE, a Liga Norte italiana pertencia a esse bloco. Grillo quer cortar com o passado.

Farage sorriu: “Claro, Beppe. Já pensámos nisso. E que tal ‘Aliança para a Europa’?”. O líder do M5S gostaria que o nome do grupo tivesse alguma referência à democracia direta.

No final da reunião, Farage terá dito a Grillo o seguinte: “Se conseguirmos fazer um acordo, poderemos divertir-nos a causar um monte de problemas em Bruxelas”. O líder do M5S respondeu: “Somos rebeldes com uma causa e combatemos com o sorriso”. Os dois publicaram no twitter fotografias em que aparecem lado-a-lado, sorridentes, aproveitando a rede social para trocarem elogios.

Marine Le Pen almoçou com os líderes da extrema-direita italiana, holandesa, belga e austríaca e disse estar confiante na criação deste novo bloco. “De momento somos cinco, mas estou otimista e penso que vamos conseguir formar um grupo no Parlamento Europeu quando encontrarmos mais dois aliados de dois países nas próximas três semanas”.

Na página de Facebook, Matteo Salvini, líder da Liga Norte, partido que saiu do grupo de Farage para se juntar ao de Le Pen, parece entusiasmado com a mudança. “Uma outra Europa é possível” – escreve Salvini – “menos imigração e finança, mais trabalho e esperança”.

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Salvini disse ter muito orgulho em “fazer parte da mesa da esperança” cujo objetivo é criar um novo grupo no Parlamento Europeu que será “contra tudo o que é único: o mercado, a moeda, a comida”.

Para criar um novo bloco político oficial no PE é necessário reunir 25 deputados de sete países diferentes.