O presidente do Banco Espírito Santo (BES) foi, nesta sexta-feira, reconduzido para um novo mandato à frente dos destinos da “holding” Espírito Santo Financial Group (ESFG). Ricardo Salgado obteve a “luz verde” para um novo ciclo de gestão, que durará até 2020, numa assembleia geral de acionistas realizada no Luxemburgo em que, de acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, estiveram representados 49,27% do capital social, correspondentes à participação da Espírito Santo Internacional (ESI) na empresa que controla as participações financeiras do grupo.

José Manuel Pinheiro Espírito Santo Silva, António Ricciardi, Jackson Gilbert, Patrick Monteiro de Barros, Philippe Guiral e José Maria Ricciardi, presidente do Banco Espírito Santo de Investimento, também foram reconduzidos, enquanto outros gestores, como Manuel Fernando Espírito Santo Silva, líder da Rioforte, terminaram funções. Esta decisão é um dos primeiros passos para a separação, na estrutura de administração do grupo, entre a gestão dos negócios financeiros e as restantes operações, exigida pelo Banco de Portugal.

A assembleia tinha na agenda, também, a aprovação das contas de 2013 da “holding” que controla o BES e a seguradora Tranquilidade. No ano passado, a empresa registou prejuízos de 864 milhões de euros, em contraste com os 314 milhões de euros de resultados positivos obtidos durante o exercício anterior. Parte das perdas verificadas decorrem da constituição de uma provisão extraordinária no valor de 700 milhões de euros que a ESFG se viu forçada a fazer, sob exigência do banco central português, com o objetivo de garantir o reembolso das emissões de papel comercial da ESI que foram colocadas junto de clientes do BES.

Na sequência do atual amento de capital do BES, a ESFG vai reduzir a participação no banco de 27,4% para 25%, enquanto o Crédit Agricole diminuirá a sua influência ao passar de detentor de uma posição de 20% para a posse de 15% das ações.

As decisões da reunião da ESFG surgem num momento em que decorre um aumento de capital no BES, que poderá proporcionar uma entrada de dinheiro fresco até 1.045 milhões de euros. Na sequência desta operação, que estará terminada a 11 de junho, a ESFG vai reduzir a participação no banco de 27,4% para 25%, enquanto o Crédit Agricole, aliado tradicional do grupo Espírito Santo na instituição financeira, diminuirá a sua influência ao passar de detentor de uma posição de 20% para a posse de 15% das ações.

Um dos efeitos destas alterações será a recomposição dos órgãos de gestão do BES, no sentido de os tornar mais independentes dos acionistas, tema que será alvo de discussão com o Banco de Portugal. Além das irregularidades detetadas nas contas da Espírito Santo Internacional pela autoridade de supervisão, que colocaram a empresa numa situação financeira qualificada como “grave” com 1,2 mil milhões de euros em dívidas não contabilizadas, as mudanças na administração estão a reacender tensões entre diferentes ramos da família que ostenta o apelido no nome do banco. Uma lista com possíveis candidatos a lugares de administração executiva no BES seria um sinal da contagem de espingardas que decorre no interior do grupo, de acordo com o Negócios.