O presidente do Banif, Jorge Tomé, disse hoje que a entrada da Guiné Equatorial como acionista do Banif “é uma possibilidade bem viva” e que tem o objetivo de duplicar a capitalização do banco para mil milhões de euros. Numa sessão na bolsa de Lisboa, Jorge Tomé explicou que a entrada de uma empresa ou de um fundo soberano da Guiné Equatorial como acionista do banco representará cerca de 100 milhões de euros.

A administração do Banif tem o objetivo de que sejam compradas por investidores privados ações no valor de cerca de 250 milhões de euros que hoje estão nas mãos do Estado. Uma empresa da Guiné Equatorial, a entrar no capital do banco, assumirá, assim, uma parte desse valor, explicou Jorge Tomé aos jornalistas. Quanto aos restantes 150 milhões de euros, Jorge Tomé disse que o banco quer aumentar a eficiência de modo a gerar resultados e a libertar capital para “comprar parte das ações do Estado”. “E poderá sobejar mais uma ‘tranche’ e aí teremos de arranjar novos investidores”, afirmou o presidente do Banif.

Jorge Tomé adiantou que a administração quer que o Banif ultrapasse os cerca de mil milhões de euros de capitalização bolsista privada, depois da operação de aumento de capital hoje concluída colocar a capitalização bolsista acima dos 500 milhões de euros. “Queremos executar no prazo de um ano. É agressivo, é difícil, mas é essa a nossa ambição. Face à trajetória que o Banif está a levar, vamos conseguir”, considerou.

Sobre o reagrupamento de ações do Banif, em que dez ações serão transformadas em uma, Jorge Tomé disse que o momento certo para isso acontecer será “mais para o final do ano”, quando o banco tiver “o processo de reestruturação completamente concluído”. O objetivo, explicou, é que as ações do Banif se valorizem (face ao seu valor atual de um cêntimo) e fiquem a um nível semelhante ao dos seus pares europeus.

O Banif anunciou hoje, em sessão na bolsa de Lisboa, a conclusão da operação de aumento de capital de 138,5 milhões de euros, que torna o Estado acionista minoritário da instituição em termos de direitos de voto. Em janeiro de 2013, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no Banif para o recapitalizar, sendo 400 milhões de euros em obrigações convertíveis em ações (as chamadas ‘CoCo’ ‘bonds’, pelas quais paga juros anuais que começam a 9,5%) e 700 milhões de euros em ações, deixando o Estado com o controlo de cerca de 99% da instituição.

Em troca, o Banif ficou obrigado a fazer pagamentos regulares ao Estado para recomprar as ‘CoCo’ (já recomprou 275 milhões de euros e quer recomprar os restantes 125 milhões de euros nos próximos meses) e a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros para sair do controlo público. A conclusão deste aumento de capital, em que a procura superou a oferta em 141%, significa o concretizar desse objetivo, com o Estado a ver a sua participação reduzida a 60,5% do capital e cerca 49% dos direitos de voto.

A data de liquidação das novas ações ocorre a 4 de junho, quarta-feira, e começam a negociar em bolsa a 06 de junho, sexta-feira.