Faltam 10 dias para o Mundial 2014. A bola começa a rolar a 12 de junho e, até lá, o Observador conta-lhe duas histórias por dia – uma portuguesa e uma vinda de outras seleções. Afinal, são 19 edições de campeonato do mundo e muita coisa já aconteceu.

O “King” jogou em cinco equipas do campeonato norte-americano entre 1975 e 1980. Verdadeiro ou falso? Eusébio tem uma estátua em Boston. Verdadeiro ou falso? O “Pantera Negra” jogou lado a lado com Pelé nos EUA. Verdadeiro ou falso? Bom, esta brincadeira até tinha pernas para andar mas está na hora de contar a ligação de Eusébio a Boston, a cidade onde Portugal vai disputar sábado um particular com o México.

Em 1966, Eusébio chegou ao Campeonato do Mundo em Inglaterra como melhor jogador do planeta, tal como vai acontecer com Cristiano Ronaldo na Copa do Brasil este verão. Um ano antes, o “Pantera Negra” havia vencido a Bola de Ouro da France Football. Era uma estrela internacional. Estava no topo. A carreira no Benfica foi, estava a ser e seria épica (1960-1975): 11 campeonatos, uma Liga dos Campeões e cinco Taças de Portugal em 15 anos. Mas o adeus chega sempre…

Foi em 1975. O homem nascido em Lourenço Marques faria as malas para se mudar para os Estados Unidos. Exatamente no mesmo ano de Edson Arantes do Nascimento, um tal de Pelé. O brasileiro deixara também o Santos, onde ganhara o rótulo de melhor jogador de sempre, para rumar ao New York Cosmos, onde chegaria a brilhar com jogadores como Chinaglia, Carlos Alberto e Franz Beckenbauer.

Mas voltemos ao King. Chegou aos EUA em 1975 para jogar nos Boston Minutemen. O contributo de Eusébio seria pequeno: apenas dois golos em sete jogos. A camisola era a 13, tal como no Inglaterra-66. Um campeão atrai conquistas. O embate mais memorável na sua estadia em Boston foi contra Pelé, pois claro: Boston Minutemen-New York Cosmos. O palco foi o campo da Universidade Nickerson, umas das seis casas dos Minutemen, que viveriam três anos conturbados na NASL. A lotação das bancadas era 14 mil, mas apareceram mais de 20 mil adeptos para ver Eusébio e Pelé, qual duelo do faroeste. O português colocou os de Boston em vantagem depois de um livre direto. Depois chegou a confusão: um golo anulado a Pelé por falta levaria a uma invasão de campo. Pelé foi ameaçado e fugiu. A sua equipa acabaria por perder o jogo. O clube de Nova Iorque protestaria e conseguiria repetir a partida. Mais tarde, e com António Simões, Shep Messing, Ade Coker e Wolfgang Suhnholz, Eusébio festejaria mesmo o título de campeão norte-americano em ano de estreia.

Mas nem tudo seriam rosas após a grande conquista. O clube de Boston tinha problemas financeiros e alguns craques teriam de sair. Eusébio jogaria depois no Toronto Metros-Croatia (21 jogos/16 golos), Las Vegas Quicksilver (17/2), New Jersey Americans (9/2) e Buffalo Stallions (5/1).

A passagem de Eusébio em Boston foi curta mas memorável. Particularmente para um emigrante português que já havia oferecido a estátua do “King” que está ainda hoje no Estádio da Luz. Vítor Batista ofereceu-a em 1992. Alguns anos depois, o português quis repetir a homenagem e imortalizar o nome do luso-moçambicano em terras de Tio Sam. “O Benfica teve uma influência enorme na minha infância e em toda a minha vida, principalmente desde que estou fora de Portugal. Era a minha ligação ao país. O meu pai era um grande fã e foi um grande homem. Pensei: tenho de agradecer ao Benfica e lembrei-me de oferecer uma estátua do Eusébio ao clube. Era a melhor forma de o fazer, homenageando-o e imortalizando-o ainda em vida. Falei com o Eusébio e ele disse-me que sim, que era uma boa ideia”, começou por dizer Vítor Batista à Benfica TV, no final de maio. E continuou: “Falei com o presidente na altura, João Santos, que também gostou da ideia. O processo foi longo mas a estátua foi feita e está cá.”

Portugal jogará no Estádio Gillette, onde está a estátua de Eusébio, na madrugada de sábado frente ao México, num jogo de caráter particular (1h30).