A justiça alemã vai investigar as alegadas escutas, realizadas pelos serviços de espionagem norte-americanos, ao telemóvel de Angela Merkel. A decisão foi anunciada na terça-feira por Harald Range, procurador-geral do país, um dia antes de a chanceler germânica se encontrar com Barack Obama, presidente dos EUA, na cimeira do G7 – que arrancou esta quarta-feira em Bruxelas, capital belga.

Sete meses após ser revelado que a Agência Nacional de Segurança (NSA) teve o telemóvel de Merkel sob escuta – na sequência dos documentos secretos divulgados, em maio de 2013, por Edward Snowden -, a justiça alemã toma a primeira atitude. A versão inglesa do Der Spiegel escreve que Range considerou existirem “motivos suficientes” para abrir uma investigação, embora o arranque dos procedimentos possa ser adiado.

“Informei o parlamento que dei início a uma investigação preliminar às escutas ao telemóvel da chanceler”, confirmou o procurador-geral alemão. Harold Range acrescentou, lê-se no El País, que o “código penal” alemão “considera” as escutas telefónicas como “um delito” tanto se forem executadas “por um cidadão, uma organização ou um serviço secreto não legitimado”,

Em maio, recorde-se, aquando da visita oficial de Angela Merkel a Washington, o tema da espionagem norte-americana foi deixado para segundo plano devido à crise geopolítica da Ucrânia. Na altura, aliás, o governo germânico até impediu que Edward Snowden – um antigo funcionário da CIA que divulgou milhares de documentos secretos – se deslocasse a Berlim para ser ouvido no inquérito ao escândalo das escutas.