O Banco de Portugal (BdP) prevê que a economia vá recuperar a atividade e este ano deverá crescer 1,1%, ainda assim abaixo do ritmo de 1,2% que foi inscrito na previsão realizada pela instituição em abril. Em 2015, segundo o Boletim Económico de junho, a economia deve acelerar para 1,5% e, em 2016, para 1,7%.

Segundo o BdP, o crescimento do PIB foi revisto “ligeiramente em baixa” este ano, em 0,1 pontos percentuais, e “ligeiramente em alta para 2015”, passando de 1,4%, previsto em abril, para 1,5%. Segundo os dados do Boletim Económico de junho, o aumento da taxa de crescimento vai ser “gradual”.

As projeções do banco central português têm apenas em conta dados sobre a evolução da economia até 20 de maio. Nestas projeções, a inflação foi revista em baixa para 2014 em 0,3 pontos percentuais, devendo estabilizar em 0,2% e acelerar para 1% no próximo ano e 1,1% em 2016.

A procura interna “continuará a ser condicionada pelo processo de consolidação orçamental” e pela “necessidade de redução do endividamento do setor privado”, refere o Banco de Portugal.

A instituição liderada por Carlos Costa sublinha que a recuperação traduz o “maior dinamismo da procura interna” e a “manutenção de um crescimento forte das exportações”. No entanto, alerta que a procura interna “continuará a ser condicionada pelo processo de consolidação orçamental” e pela “necessidade de redução do endividamento do setor privado”. As projeções apontam para uma subida da procura interna de 1,4% este ano, diminuindo para 1%, em 2015, e aumentando 1,6% em 2016.

Nas projeções para o comércio externo, o Banco de Portugal prevê que as exportações cresçam 3,4% em 2014, ritmo inferior ao avanço de 6,1% que se verificou no ano passado, e cerca de 6% em 2015 e 2016. O crescimento das vendas ao estrangeiro mostram alguma “recuperação” da procura externa. Por isso, o BdP prevê que, em 2016, as exportações representem 45% do PIB. Em 2008, representavam 32%.

Como riscos que pesam sobre estas projeções, o Banco de Portugal aponta, a nível externo, a recuperação mais moderada da economia mundial, em particular da área do euro, bem como o aumento do preço do petróleo. Os ganhos de quota de mercado inferiores aos assumidos, bem como a redução da margem de lucro e os cortes adicionais de consumo público constantes do Documento de Estratégia Orçamental são alguns riscos internos apontados no Boletim de Económico de junho.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou que a economia portuguesa registou uma contração de 0,6% durante o primeiro trimestre de 2014, quando o desempenho é comparado com os três meses imediatamente anteriores.

Na segunda-feira, 9 de junho, o Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou que a economia portuguesa registou uma contração de 0,6% durante o primeiro trimestre de 2014, quando o desempenho é comparado com os três meses imediatamente anteriores. O número é mais positivo, em 0,1 pontos percentuais, do que aquele que o INE divulgou na estimativa rápida divulgada a 15 de maio, mas contrasta com o crescimento de 0,5% que caracterizou a evolução durante o quarto trimestre de 2013.

Quanto à procura interna, acelerou de janeiro a março deste ano, ao crescer 2,9% em relação ao mesmo período de 2013, com o investimento a aumentar 12,2%. O consumo privado também acelerou. Passou de um ritmo de crescimento homólogo de 0,6% no derradeiro trimestre de 2013 para um aumento de 1,5% de janeiro a março deste ano. Este comportamento fica a dever-se ao crescimento das despesas de consumo em bens duradouros, que se fixou em 17% na comparação com o primeiro trimestre de 2013, rubrica em que pesa o aumento das vendas de automóveis.

No início de junho, no âmbito do “semestre europeu”, a Comissão Europeia também reviu em baixa o crescimento da economia portuguesa de 1,2%, valor em linha com as projeções do Governo, para 1% este ano. Em 2015, a economia deverá crescer 1,5%, segundo a revisão de Bruxelas.

Em termos internacionais, o Banco Mundial reviu esta segunda-feira em baixa as previsões de crescimento global de 3,2% para 2,8% para 2014 devido à desaceleração nos países em desenvolvimento, à contração nos Estados Unidos no primeiro trimestre e à crise na Ucrânia. Para 2015 e 2016, o BM prognostica uma aceleração gradual para 3,4% e 3,5%, respetivamente.

É “fundamental”, de acordo com o Banco de Portugal, “assegurar um nível de consumo compatível com o rendimento”, bem como garantir políticas públicas orientadas para a “criação de incentivos à inovação” e ao “investimento em capital físico e humano”.

Além das previsões, Boletim Económico de junho faz igualmente “alertas” para os próximos anos. Segundo a instituição liderada pelo governador Carlos Costa o “crescimento da economia portuguesa continuará a ser condicionado por alguns constrangimentos estruturais”.

Por isso, é “fundamental”, de acordo com o Banco de Portugal, “assegurar um nível de consumo compatível com o rendimento”, bem como garantir  políticas públicas orientadas para a “criação de incentivos à inovação” e ao “investimento em capital físico e humano”. Ou seja, as políticas devem ir no sentido de “criar condições atrativas” para novos “projetos de investimento direto estrangeiro e, ao mesmo tempo, o país precisa de “prosseguir” a consolidação orçamental.

No final, alerta o Banco de Portugal, “só uma visão de longo prazo que garanta a consistência intertemporal das políticas e entre políticas, bem como “um enquadramento institucional estável”, poderão assegurar as “condições necessárias para um crescimento sustentável”.

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