Rádio Observador

Terrorismo

Governo admite presença de membros da Al-Qaeda e Boko Haram em Cabo Verde

O Governo cabo-verdiano considera que o crescimento da comunidade islâmica é um "fator de preocupação".

Cabo Verde: Governo admite que há potenciais ameaças

ORLANDO RODRIGUES

O Governo cabo-verdiano admitiu a possibilidade da existência de elementos ligados às redes terroristas Boko Haram e AQUIM (Al-Qaeda no Magreb Islâmico) no arquipélago e que o crescimento da comunidade islâmica é um “fator de preocupação”. Segundo uma nota publicada no Boletim Oficial (BO), o país poderá estar a ser usado para trânsito, refúgio, recrutamento e treino de grupos terroristas e o crescimento da comunidade islâmica é um “fator de preocupação”, na medida em que sempre existe a “possibilidade” de alguns aderirem e promoverem a ideologia radical.

“A situação geográfica e a fraca capacidade institucional de Cabo Verde no combate ao fenómeno, a manifesta invisibilidade do país nesta matéria, aliada a outros fatores de risco internos e externos, apresentam potenciais ameaças no que diz respeito à utilização do arquipélago para trânsito, refúgio, recrutamento e o próprio treinamento de grupos terroristas”, lê-se no documento governamental.

No BO, o executivo de José Maria Neves adianta também que existem “alguns indícios” a esse respeito, transmitindo “mensagens ofensivas à cultura ocidental”. Embora Cabo Verde nunca tenha sido alvo de ataques terroristas, o Governo admitiu que “existem indícios de possíveis ameaças resultantes de grupos radicais que operam no país”.

“Foram detetadas deficiências em matéria de monitorização de acesso e circulação em território cabo-verdiano de indivíduos que poderiam estar ligados ao terrorismo (incluindo AQIM e Boko Haram)”, escreve-se no BO. Mesmo com o “baixo risco” de se perpetuar atos terroristas no país, o executivo cabo-verdiano entendeu que “não deve ser descartada a ocorrência” de tais atos, devido ao «modus operandis» dos grupos terroristas, “que têm na sua lista de potenciais alvos os hotéis e as representações diplomáticas”.

Em setembro de 2013, o primeiro-ministro cabo-verdiano garantiu que não havia qualquer atividade ou informação de atuação de grupos radicais ou fundamentalistas em Cabo Verde, salientando que o país é “seguro, de paz e tolerante”. Ainda assim, José Maria Neves garantiu que estavam a ser tomadas medidas de prevenção e que o Governo atuará “com toda a firmeza” contra grupos radicais e fundamentalistas que queiram instalar-se no arquipélago.

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