O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, afirmou que quer resolver o conflito político e militar com a Renamo, maior partido de oposição, o mais depressa possível, reiterando que as eleições gerais de 15 de outubro não estão em causa.

Falando no domingo no âmbito de uma presidência aberta à província de Tete, no centro-norte do país, Guebuza admitiu que os confrontos militares com a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) mancham o fim do seu segundo e último mandato, acusando o líder da oposição, Afonso Dhlakama, de reaparecer “sobretudo para matar cidadãos inocentes”.

“É preciso ter em conta que o desejo de todos os moçambicanos e, acredito, de muitas entidades estrangeiras, é que esta crise nem devia ter existido”, afirmou, citado hoje no diário O País. “E, por isso, este assunto continua a merecer o esforço de todo o Governo moçambicano, que está empenhado em resolvê-lo o mais urgente possível.”

Reiterando que, independentemente da evolução desta crise, as eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais) previstas para 15 de outubro não estão em causa, o chefe de Estado elogiou os moçambicanos por continuarem a realizar as suas atividades e incentivou os investidores estrangeiros a manterem os seus planos.

No domingo, homens armados ligados à Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, mataram quatro militares do Exército e feriram outros 13 numa emboscada no centro de país.

Governo e Renamo tinham marcada para hoje em Maputo uma nova ronda negocial, a 62.ª desde o início da crise, num momento em que a guerra se intensifica na província de Sofala, onde se supõe que esteja escondido o líder da oposição, Afonso Dhlakama, mas o encontro foi adiado pelo executivo.

No domingo, homens armados ligados à Renamo, maior partido da oposição em Moçambique, mataram quatro militares do Exército e feriram outros 13 numa emboscada no centro de país.

Este foi o último confronto desde a escalada do conflito, no início do mês, quando a Renamo suspendeu o cessar-fogo em retaliação pela concentração de forças governamentais na região de Gorongosa, onde se supõe que esteja Dhlakama.

Num troço de cem quilómetros da N1, única estrada que une o centro e o norte do país, entre Save e Múxunguè, na província de Sofala, a circulação está condicionada a escoltas militares, que têm sido atacadas quase diariamente.

As partes permanecem separadas pela exigência do Governo do desarmamento do braço armado da Renamo, que, por sua vez, reivindica paridade na composição das forças armadas e de segurança.