Pelo menos 356 pessoas morreram no conflito no leste da Ucrânia, segundo uma contagem feita por observadores das Nações Unidas enviados para a região para avaliar as violações de direitos humanos. Este balanço, apresentado em Genebra, refere-se ao período entre 11 de abril e 14 de junho.

O número integra 257 mortos contabilizados pelo Ministério da Saúde ucraniano, 14 dos quais eram crianças, a que se juntam 11 mortos nos confrontos em Mariopol, dois em Donbass e 86 militares, número que já inclui os 49 mortos no abate de um avião militar no sábado.

A ONU indicou não ter dados que lhe permitam discriminar quantos combatentes e quantos civis figuram nos 257 mortos contabilizados pelo Ministério da Saúde.

Em relação às violações de direitos humanos na região, os 34 observadores da ONU concluíram que separatistas pró-russos cometeram torturas, desaparecimentos forçados, assassínios e sequestros não apenas contra ativistas, políticos e jornalistas, como também contra a população em geral.

“Na região reina uma atmosfera de intimidação e de medo constante”, afirmou à imprensa o relator Gianni Magazzeni, responsável pelo relatório hoje divulgado.

Em Donetsk e em Lugansk, 222 pessoas foram sequestradas, incluindo os observadores da Organização para a Segurança e Cooperação Na Europa (OSCE).

Desse total, pelo menos quatro pessoas foram executadas sumariamente e 137 libertadas, disse o responsável, acrescentando que os observadores não conseguiram obter informações sobre as restantes 81 pessoas.

“Alguns dos que foram libertados falaram de violência, de privação de sono, de condições precárias ou desumanas, por vezes trabalho forçado, incluindo a obrigação de se juntarem às fileiras dos rebeldes ou ajudarem a capturar outras pessoas”, disse.

“Houve pessoas mortas em postos de controlo simplesmente por não terem abrandado a tempo, porque levaram alimentos a soldados ou porque já não queriam combater com os rebeldes”.

A deposição do presidente Viktor Ianukovitch em fevereiro desencadeou uma insurgência pró-russa no leste da Ucrânia, com a tomada de edifícios governamentais por forças separatistas e a auto-proclamação, a 11 de maio, das “repúblicas populares independentes” de Donetsk e Lugansk. As autoridades de Kiev lançaram a 13 de abril uma ofensiva para recuperar o controlo do leste, operação que foi intensificada após a eleição do novo presidente ucraniano, Petro Poroshenko, a 25 de maio.