As buscas pelo avião da Malaysian Airlines foram alteradas para uma zona mais a sul do Oceano Índico do que a que até agora estava a ser considerada. A nova localização situa-se a cerca de 834 milhas náuticas (1.545 quilómetros) da cidade australiana de Perth, o que representa uma deslocação de quase 435 milhas náuticas (804 quilómetros) face à anterior zona de buscas.

O ministro dos transportes australiano, Warren Truss, afirmou na manhã de quinta-feira que esta mudança se deve a uma nova análise dos dados obtidos por satélite – explicada num relatório do seu governo. Nos últimos dias, um navio australiano tem estado a mapear o fundo do oceano na nova região, da qual não existem quaisquer imagens de satélite das semanas que se seguiram ao desaparecimento do voo MH370, a 8 de março. O navio foi diretamente contratado pelo governo da Austrália, que já terá gasto mais de 90 milhões de dólares (americanos) nas operações de busca, um valor muito superior ao despendido pela Malásia, que se estima que tenha sido de 9 milhões.

A alteração da zona de buscas já era esperada. Na quarta-feira, responsáveis malaios admitiam que a área a escrutinar seria “refinada” na sequência de uma reexaminação das imagens de satélite por parte do Australian Transport Safety Bureau (autoridade de segurança nos transportes da Austrália). Aliás, cientistas da própria empresa dona do satélite com quem o avião trocou as últimas comunicações, a Inmarsat, haviam já alertado na BBC para o facto de ainda não terem sido sujeitas a buscas as áreas onde a empresa considerava mais provável que tivesse caído o avião.

“Estamos certos de que o avião estava a operar em piloto automático até que ficou sem combustível” e caiu no Oceano Índico, disse Martin Dolan, diretor do Australian Transport Safety Bureau. Uma informação confirmada por Warren Truss. “É muito, muito provável que o avião estivesse em piloto automático, caso contrário não poderia ter seguido a rota que já foi identificada através das imagens de satélite”, afirmou.

Trata-se de um dado até agora desconhecido e que terá sido fundamental para a decisão de alteração da zona de buscas. A reexaminação das imagens deveu-se ao facto de se ter descoberto que os radares malaios não estavam corretamente calibrados para ser precisos quanto à altitude a que o avião seguia aquando da sua última comunicação com terra.

Na segunda-feira, alguns meios de comunicação social britânicos e australianos difundiram a notícia de que o piloto do voo MH370 era o principal suspeito das responsabilidades pelo desaparecimento da aeronave, que levava 239 pessoa a bordo. Essa informação foi, entretanto, desmentida por Hishammuddin Hussein, ministro da defesa malaio e, até quarta-feira, também ministro dos transportes do país.