Um ataque suicida levado a cabo hoje no leste do Afeganistão pelos talibãs matou 16 pessoas, incluindo dez civis, dois polícias e quatro soldados checos, disseram hoje fontes oficiais. O chefe da delegação checa, Petr Pavel, disse aos jornalistas em Praga que o bombista suicida estava no meio de uma multidão que estava a falar com soldados que investigavam ataques de ‘rockets’ à base aérea de Bagram, uma das maiores instalações do exército dos Estados Unidos na área.

O ataque, que foi reivindicado pelos talibãs, acontece numa altura em que o Afeganistão está envolvido numa crise política, com algumas fações a ter suspeitas de fraude nas eleições presidenciais. Waheed Sediqqi, porta-voz do governador da província de Parwan, disse à AFP que foram mortos dez civis, dois polícias e ainda os quatro soldados checos. Os insurgentes alegaram que 15 elementos das forças especiais americanas foram mortos.

Cerca de 250 soldados checos estão envolvidos na força de 50.000 tropas da NATO no Afeganistão, que são lideradas pelos Estados Unidos. A missão de combate da NATO irá terminar no fim do ano, mas 10.000 tropas americanas ficarão em território afegão se o novo presidente assinar um pacto de segurança com Washington. Cerca de 450 elementos da aliança atlântica foram mortos desde o início das operações em 2001, quando o regime talibã foi deposto.

O secretário de Estado americano John Kerry afirmou hoje que qualquer tentativa de golpe para a tomada de poder no Afeganistão durante a crise eleitoral significaria a retirada da ajuda internacional ao país. Os resultados das eleições divulgados na segunda-feira mostram que o antigo economista do Banco Mundial Ashraf Ghani tinha ganho as eleições, mas um porta-voz do seu adversário, Abdullah Abdullah, rejeitou os resultados e classificou-os como “um golpe contra a vontade do povo”.

Os resultados mostraram uma vitória de Ghani com 56,4 por cento dos votos, contra 43,5% de Abdullah, mas a alegada fraude levantou imediatamente preocupações sobre instabilidade.