A renegociação da dívida entrou na campanha interna do PS. Dois dos principais apoiantes de António Costa e de António José Seguro envolveram-se esta terça-feira numa troca de acusações que envolve cortes nas poupanças dos pequenos aforradores e “frenesins” na confrontação.

Tudo começou com a proposta Um Programa Sustentável para a reestruturação da dívida portuguesa defendida por quatro economistas, entre os quais, Pedro Nuno Santos, apoiante de Costa. Ao início da tarde, o dirigente nacional Eurico Brilhante Dias resolveu comentar a proposta no Facebook, dizendo que significa “renegociação da dívida com perdas para os pequenos aforradores detentores de certificados de aforro e de certificados do tesouro e com cortes nos depósitos superiores a 100 mil euros”.

“É caso para dizer: uma nacionalização, com fuga de depósitos como resultado, em que os pequenos aforradores pagarão também a crise. Uma solução, nalguns aspectos, à cipriota. Eu discordo. Defendo a renegociação mas não a liquidação da pequena poupança e da confiança no sector bancário”, escreveu.

Poucos depois, Pedro Nuno Santos respondeu-lhe no seu blogue Ladrões de Bicicletas, considerando “o comentário errado e infundado em todos os seus aspetos” e que “se o frenesim da confrontação tivesse dado lugar ao debate sereno, Brilhante Dias não teria escrito o que escreveu”.

Segundo o ex-deputado, o programa de reestruturação da dívida por si proposto protege integralmente os valores dos aforradores – pequenos ou grandes – e de todos os detentores de certificados do Tesouro. “Para isso, calcula a necessária recapitalização desses fundos, que é imposta pelo impacto imediato da reestruturação da dívida. Prevê mesmo um prémio de permanência aos aforradores que continuem no sistema, para favorecer a confiança e a estabilidade da poupança interna”, explica.

Pedro Nuno Santos, ainda assim, congratula-se com o comentário do seu opositor interno. Chama de “boa notícia” ao facto de Brilhante Dias defender a renegociação, mas pede que explique melhor. “Esperamos pelo que falta: um programa detalhado, responsável, cuidadoso e calculado. A renegociação exige que se fixem metas: quais são as metas? E exige instrumentos que lhes correspondam: quais são os instrumentos, os prazos e os cálculos dos efeitos”, questiona.

“A partir de hoje já não se pode discutir a reestruturação como se fosse uma conversa de café ou uma mera questão partidária – é uma questão nacional onde só cabem alternativas informadas e realistas”, remata.