A mais recente arma dos serviços fronteiriços norte-americanos contra a imigração ilegal para os Estados Unidos é… uma canção pop. “La Bestia”, cantada pelo músico Eddie Ganz, tem como objetivo demover as pessoas das Honduras, Guatemala e El Salvador de utilizarem as linhas férreas mexicanas para atravessarem o país e, assim, chegar aos Estados Unidos, relata o The Daily Beast.

“La Bestia” (em português, “a besta”) é uma linha férrea de carga mexicana, também conhecida como “comboio da morte”, utilizada por emigrantes de toda a América Central e do Sul para chegar às fronteiras norte-americanas. Trata-se de uma viagem extremamente perigosa: os viajantes vão no topo do comboio, agarrados às extremidades das carruagens, e são frequentemente atacados por grupos de narcotráfico, arriscando ser assaltados, violados, raptados ou mesmo mortos.

A canção conta precisamente essa história e é um sucesso na Guatemala, El Salvador e Honduras. “Chamam-lhe a Besta do Sul, este miserável comboio da morte. Com o diabo nas entranhas [in the boiler], apita, ruge, dá voltas e mais voltas”, canta Eddie Ganz.

A iniciativa da canção pertence ao Customs and Border Protection dos EUA (equivalente ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), que, na semana passada, anunciou o lançamento de uma campanha assumidamente destinada a desencorajar a emigração dos países da América Latina para os Estados Unidos, em particular o envio de crianças através da “besta”. A “Dangers Awareness Campaign” (campanha de consciencialização dos perigos, em português) tem um orçamento de um milhão de dólares e engloba 6.500 anúncios de televisão, cartazes espalhados por muitas cidades dos Estados Unidos e outros países da América Central e ainda a criação de canções deste género.

“La Bestia” não é a primeira música encomendada pelos serviços fronteiriços norte-americanos. Já em 2004, no âmbito da campanha “No más cruces” (um trocadilho entre as “cruzes” dos cemitérios e o “cruzar” a fronteira), tinham sido produzidos CD com cinco músicas que foram distribuídos por rádios do México, nas quais se alertava para os perigos de atravessar o deserto de Sonora, um dos maiores da América do Norte, que cobre grande parte do norte do México e do sul dos Estados Unidos.