A Porto Editora, umas das maiores empresas do setor editorial português, tem um investimento avultado preso no Banque Privée Espírito Santo, o banco de gestão de fortunas do Grupo Espírito Santo com sede na Suíça, confirmou o Observador. A editora não quer fazer “qualquer tipo de comentário sobre assuntos que não estejam relacionados com a atividade” da empresa, diz o gabinete de comunicação.

Fontes contactadas pelo Observador garantem que a atividade da Porto Editora não será prejudicada. Mas nos últimos dias têm sido vários os telefonemas para os seus principais responsáveis, questionando se o problema está sob controlo.

Desde o início do mês que vários clientes das sucursais portuguesas do Banque Privée Espírito Santo (BPES) apresentaram queixas no supervisor, CMVM, queixando-se de não conseguirem receber o dinheiro ali investido em papel comercial da Espírito Santo International (ESI) e de outras sociedades do GES que, alegam, lhes foram vendidas como aplicações sem risco.

A CMVM está a encaminhar todos para o supervisor suíço, como relatou esta semana o Jornal de Negócios, que já veio dizer que tem estado “em contacto com a CMVM”, admitindo ter “conhecimento das notícias” que envolvem a instituição e a situação do GES. A Porto Editora escusou-se também a comentar se o investimento no BPES se trata de um depósito ou de papel comercial.

Ainda segundo o mesmo jornal, há já um grupo de clientes que se juntou para ganhar peso na reclamação dos investimentos colocados no BPES. Há já uma reunião marcada para o final de julho.

Neste momento, a página do Banque Privée está fechada, anunciando-se uma “reconstrução do site” e pedindo a “compreensão” dos utilizadores.

A Porto Editora é a maior editora portuguesa, com um catálogo diversificado que abrange manuais escolares, ficção, não ficção e livros infantojuvenis, com presença marcada também na edição digital. Em 2010 a empresa comprou a Bertrand e a Círculo de Leitores.