Juncker queria 14 mulheres entre os 28 comissários, mas até agora tem… duas. O novo presidente da Comissão já fez saber que a falta de comissárias pode atrasar a composição da sua equipa, pressionando assim quem já apontou homens e os países que ainda não apontaram ninguém (incluindo Portugal) a escolherem mulheres para enviar para Bruxelas.

Jean-Claude Juncker prometeu uma Comissão com igualdade de género e parece que não se vai contentar com menos do que isso. Esta quinta-feira fez mesmo saber através da sua porta-voz que caso os Estados-membro não nomeiem mulheres, a falta de presença feminina pode causar atrasos na constituição da Comissão e subsequente atraso da distribuição das pastas. “Se não for encontrada nenhuma solução, isto pode significar que vai ser preciso mais tempo para formar a próxima equipa da Comissão”, disse Natasha Bertaud no briefing da Comissão Europeia em Bruxelas.

A atual Comissão liderada por Durão Barroso tem 9 mulheres e no Twitter tem surgido a hashtag #tenormore (dez ou mais) para acentuar a importância de uma maior presença feminina. Até agora foram apenas nomeadas formalmente duas mulheres: a sueca Cecilia Malmström, atual comissária europeia dos Assuntos Internos, e a checa Věra Jourová, ministra do Desenvolvimento Regional do seu país.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Mais do que o compromisso público, Juncker corre mesmo o risco de ver a sua comissão chumbada pelo Parlamento Europeu (PE), caso não haja igualdade de género. Tanto o presidente do PE, o socialista Martin Schulz, como o líder dos liberais, Guy Verhofstadt, fizeram depender o seu apoio a Juncker de uma comissão equilibrada entre homens e mulheres. Schulz disse que não admite um “clube de cavalheiros”.

Itália deverá ainda nomear mais uma mulher até ao final desta semana. Renzi, primeiro-ministro italiano, tem-se batido por Federica Mogherini, atual ministra dos Negócios Estrangeiros do seu executivo, para a pasta de Alta Representante da Comissão. Mas ainda ficam a faltar muitas mulheres. Maria Luís Albuquerque pode ser uma delas e a chamada de atenção de Juncker, um alerta para Portugal e outros países que ainda não oficializaram a sua decisão.