O chefe da junta da Tailândia, o general Prayuth Chan-ocha, foi hoje designado primeiro-ministro interino por uma assembleia não-eleita dominada por militares.

Prayuth Chan-ocha, que liderou o golpe de Estado de 22 de maio e único candidato ao cargo, recebeu 191 votos a favor contra apenas três abstenções, num universo de 197. Os restantes três membros da assembleia nacional não estavam presentes.

A nomeação de Prayuth Chan-ocha tem de ser ratificada pelo rei Bhumibol Adulyadej, embora a aprovação real seja vista como uma formalidade.

“O general Prayuth foi eleito primeiro-ministro”, congratulou-se Pornpetch Wichitcholchai, presidente da assembleia, cujos membros foram nomeados pelos militares.

Em junho, a junta militar no poder na Tailândia anunciou que pretendia formar um governo interino até setembro para supervisionar as reformas políticas a serem seguidas por eleições, descartando, porém, a sua realização antes de outubro de 2015, não obstante os apelos da União Europeia e dos Estados Unidos para a retomada da democracia no país.

Prayuth Chan-ocha, que se deverá aposentar como chefe do exército no próximo mês, é visto como um feroz opositor do antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, cujo derrube num anterior golpe de Estado (2006) desencadeou a longa crise política que se vive na Tailândia.

Thaksin, irmão mais velho de Yingluck, encontra-se exilado no Dubai para onde fugiu a fim de evitar cumprir a condenação à revelia de dois anos de prisão por corrupção.

Thaksin ou aliados ganharam todas as eleições na Tailândia nos últimos 13 anos, incluindo em 2011, das quais saiu vencedora Yingluck, destituída em maio pelo Tribunal Constitucional.

Os militares alegam que tomaram o poder para pôr um ponto final a sete meses de manifestações violentas contra o governo de Yingluck Shinawatra.