O glaciar Vatnajökull tem três buracos com 10 a 15 metros de profundidade a sudeste da caldeira do vulcão Bardarbunga. Os três caldeirões alinhados ao longo de cinco quilómetros foram descobertos durante um voo de reconhecimento efetuado na noite de quarta-feira por uma equipa de investigadores do Instituto de Ciências da Terra da Universidade da Islândia e do Instituto de Meteorologia da Islândia. É provável que tenham sido formados por uma erupção subglaciar que começou a derreter o glaciar que terá 400 a 600 metros de profundidade. O gelo derretido fez subir o nível da água no lago Grímsvötn entre cinco a dez metros.

A extensão de magma, alimentada pela caldeira do vulcão Bardarbunga, tem viajado para norte, excedeu o limite norte do glaciar Vatnajökull, na zona de Dyngjujökull, e entrou na região do vulcão Askja. A elevada atividade sísmica sobretudo nos últimos 10 quilómetros da intrusão do magma está a afetar toda a região, tendo-se registado vários sismos junto ao vulcão Askja. Durante a madrugada de quinta-feira foram sentidos três sismos de magnitude 4,0 e um de magnitude 5,0 na zona do vulcão Bardarbunga.

A erupção teve início no sábado com a formação de um canal de magma que tem viajado para norte do país sem sinais à superfície. A intrusão do magma tem mais de 40 quilómetros de extensão e excedeu os limites do glaciar em pelo menos seis quilómetros. A quantidade de magma que sai da caldeira vai engrossando e estendendo a intrusão magmática que tem cerca de 370 milhões de metros cúbicos.

Desde domingo, já foram sentidos mais de três mil sismos, mas o mais forte aconteceu madrugada de terça-feira por baixo da caldeira do vulcão Bardarbunga com uma magnitude de 5,7 – a atividade sísmica junto ao vulcão pode estar relacionada com a saída do magma da caldeira. Embora os sismos se multipliquem entre os bordos da caldeira do vulcão, a maior parte estão localizados ao longo da intrusão de magma, sobretudo na extremidade mais distante da caldeira onde o canal continua a aumentar. As autoridades mantêm a possibilidade de erupção.

Os sismólogos apontam alguns cenários possíveis:

  • a migração do magma pode parar levando a uma redução gradual da frequência dos sismos;
  • a intrusão do magma pode chegar ao limite do glaciar e iniciar uma erupção que será mais efusiva do que explosiva, libertando uma menor quantidade de cinzas;
  • o magma chega à superfície na zona do glaciar, a erupção deverá ser explosiva com cheias e libertação de grande quantidade de cinzas;
  • uma erupção dentro da caldeira do Bardarbunga também é possível, mas neste momento um cenário pouco provável.

Depois de uma semana pontuada com milhares de sismos na região, a erupção iniciou-se por baixo do glaciar Dyngjujökull, parte integrante de Vatnajökull. A vulcanóloga Melissa Pfeffer confirmou que os dados sismológicos indicam que a lava está a derreter o gelo do glaciar. “A frequência dos sismos é tão grande que os eventos estão sobrepostos no tempo, tornando difícil distinguir eventos individuais. Interpretamos que a profundidade da maioria dos sismos é equivalente à da zona de intrusão do magma”, informou o Instituto de Meteorologia Islandês no relatório diário.

Os tremores de terra podem estar relacionados com o ajuste de pressão causado pela saída do magma da caldeira pela intrusão para a região Dyngjujökull. A zona de Dyngjujökull continua a registar atividade sísmica intensa, porque a intrusão continua a crescer em comprimento e largura. Na madrugada de domingo, foram detetados dois sismos de magnitude 5,3 e 5 na escala de Richter, no bordo da caldeira do Bardardunga, a cerca de cinco quilómetros de profundidade. Outro, de magnitude 4,9, foi registado às 20:39 (hora local), do mesmo dia, também no bordo da caldeira.

Sismos desde 16 agosto_a 27

Sismos registados desde dia 16 de agosto [o tamanho dos círculos indica a magnitude dos sismos, as cores indicam as datas, sendo 0 o dia 16] – Instituto de Meteorologia Islandês

Durante a tarde de sábado uma equipa com elementos da Guarda Costeira islandesa, do Instituto de Meteorologia Islandês e da Universidade da Islândia sobrevoou a região noroeste de Vatnajökull. As observações e medições por radar não detetaram nenhuma alteração à superfície, nem nenhum sinal de cheia no limite da região gelada. “Durante as três horas de voo, não houve sinais óbvios de atividade vulcânica”, lê-se no site do instituto. As cheias, a par da grande quantidade de gases e cinzas que pode ser emitida, são uma das preocupações dos técnicos e uma das formas de acompanharem a evolução da erupção subglaciar.

Porém, ainda não é possível saber se a erupção vai derreter o gelo até à superfície – o glaciar pode ter entre 150 a 400 metros de espessura e pode levar 20 horas a derreter. Caso aconteça o vulcão poderá começar a lançar vapor de água e cinzas para atmosfera. “Quanto mais espesso o gelo, mais água tem, mais explosivo vai ser e mais cinzas serão libertadas durante a erupção”, alerta a vulcanóloga.

Perante a possibilidade de se repetir o cenário da erupção do vulcão Eyjafjallajökull em 2010, com a libertação de uma grande quantidade de cinzas que cobriram os céus da Europa, as autoridades islandesas aumentaram o nível de alerta à aviação para vermelho no sábado, mas voltaram a reduzi-lo para laranja no domingo.

O vulcão Bardarbunga fica a mais de 200 quilómetros de Reiquejavique, capital da Islândia, no Parque National Vatnajökull. Embora sem residentes, recebe muitos turistas, o que obrigou os geólogos a evacuar centenas de pessoas na passada quarta-feira depois de terem sido registados cerca de 300 sismos nessa madrugada.

O Bardarbunga pode ser seguido em vídeo aqui.

Atualizado a 28 de agosto às 15h20