Os agricultores da região Oeste, com 74% da produção nacional de abóboras, estão a armazená-las para serem vendidas de inverno e assim combaterem os atuais preços baixos resultantes da oferta.

“Ofereceram-me a quatro cêntimos o quilo e nos hipermercados é vendida a 60 cêntimos. Nem dá para o adubo. Há agricultores que não têm a noção daquilo que gastam e entregam o produto a qualquer preço e estão a dar cabo dos preços”, lamentou o produtor Adriano Lúcio.

À semelhança de Adriano Lúcio, também Carlos Malaquias optou por armazenar as abóboras para as escoar entre os meses de novembro e março, quando começam a escassear e têm saída para a exportação.

Com a despesa de embalar e carregar a partir do armazém, “se [as conseguir] vender na ordem dos 20 cêntimos já é um bom negócio”, admitiu.

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A elevada oferta, que justifica os baixos preços e quebras estimadas de 20% nas vendas, acontece depois de 2013 ter sido um bom ano de colheita e de lucro, o que levou muitos agricultores a terem apostado na cultura, que aumentou em 20% a área de cultivo em apenas um ano.

De uma cultura secundária destinada à alimentação animal, tem vindo a conquistar os hábitos alimentares, ao ser usada sobretudo na confeção de doces e de sopas, e a ganhar valor de mercado. 60% da produção é exportada para Inglaterra, França e Alemanha.

Adriano Lúcio, produtor há meia dúzia de anos, produz entre 300 e 400 toneladas numa área de 15 a 20 hectares.

“Produzo abóbora para fazer a rotação das culturas e também vejo que é uma das culturas mais rentáveis, desde que haja exportação”, explica o produtor.

Com 600 a 700 toneladas e 25 hectares, Carlos Malaquias é um dos maiores e mais antigos produtores. À medida que o produto vai tendo procura no mercado da exportação, tem vindo a aumentar a área de cultivo e a diversificar as espécies.

“Temos à volta de 15 hectares de abóboras manteiga, que são vendidas para Inglaterra. É o terceiro ano que estamos a apostar nessa variedade, aumentámos a área em 50% do ano passado para este ano em função das exigências do mercado”, refere o agricultor, para quem a abóbora já pesa 10 a 15% da sua faturação anual.

Por ser o concelho com a maior produção da região, a Lourinhã acolhe de 31 de outubro a 02 de novembro o I Festival da Abóbora, organizado pela União de Freguesias de Atalaia e Lourinhã.

No pavilhão multiusos da Atalaia, o evento vai ter ‘chefs’ a trabalhar ao vivo, mostra de doçaria e pratos gastronómicos confecionados a partir da abóbora, exposição de abóboras do “Halloween” pelas escolas e jornadas técnicas.

Na região Oeste, onde existe clima e solos propícios, a abóbora tem vindo a ganhar expressão desde há uma década. Não só a produção aumentou vinte e cinco vezes mais para cerca de 2500 hectares e passou de três mil para 40 mil toneladas por ano, como rende 10 milhões de euros anualmente aos agricultores, de acordo com dados da Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste.