Com o “Sim” à independência da Escócia a ganhar terreno nas sondagens, a ansiedade começa a disparar no Reino Unido. Cameron disse que os britânicos querem continuar lado a lado com os escoceses e vai à Escócia participar na campanha pelo “Não”. Enquanto alguns esperam que Isabel II intervenha publicamente, a libra afunda-se. Para além de tudo isto, as indústrias britânicas parecem estar a ressentir-se com a incerteza em torno do referendo de dia 18.

Segundo o The Wall Street Journal, empresários das áreas da defesa, dos serviços financeiros e da energia estão preocupados com o futuro das suas indústrias caso a independência escocesa se torne uma realidade.

Defesa, a ameaça sobre a produção de navios de guerra

Já se ouviram alguns sinais de alarme relativamente ao impacto que o “Sim” poderia ter na produção de navios de guerra, uma vez que o Reino Unido compra a maior parte dos seus navios a produtores domésticos. Para além deste risco direto, teme-se que as inevitáveis partilhas que se seguiriam à independência possam “distrair” os empresários e interrompam o rumo normal dos negócios.

Desde o início da semana, as ações da BAE Systems, a maior fabricante de armas do Reino Unido e da Babcock International Group, que fornece a frota de submarinos nucleares do Reino Unido, caíram 1% e 3%, respetivamente. Ao The Wall Street Journal, um responsável da BAE Systems disse que “a união oferece maiores certezas relativamente à estabilidade do nosso negócio”.

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Energia, a Escócia mais dependente do que nunca

Algumas empresas de petróleo e gás temem que uma Escócia independente acabe por se tornar mais dependente das receitas do petróleo do que o Reino Unido alguma vez foi. Se a produção continuar a decair (em 2013 a produção baixou 8% comparativamente a 2012 e cerca de 70% quando se olha para o ano de 1999, em que a produção atingiu o pico), isso poderia levar a um aumento dos impostos pagos por estas empresas. A incerteza do resultado já produziu consequências negativas nos novos investimentos: nos primeiros seis meses de 2014 foram abertos apenas 12 poços de exploração e prospeção de petróleo. No mesmo período do ano passado esse número foi de 27, segundo o grupo Oil & Gas Uk, citado pelo The Wall Street Journal.

Por tudo isto, tanto a BP como a Royal Dutch Shell já disseram preferir a continuação da Escócia na união.

Serviços financeiros, como avaliar o risco de crédito?

Qual a percentagem de dívida do Reino Unido que passaria para a Escócia independente? Como é que os mercados avaliariam o risco de crédito escocês? Estas questões por resolver provocam grande incerteza junto das empresas de serviços financeiros. Os bancos escoceses temem também uma corrida aos depósitos.

Os serviços financeiros escoceses – que empregam cerca de 200 mil pessoas (12% da força de trabalho) – também viram as suas ações cair quando o “Sim” começou a ganhar terreno. Na Lloyds Banking Group, na Royal Bank of Scotland Group e na agência de seguros Standard Life, as ações caíram mais de 2% depois de os independentistas surgirem à frente nas sondagens.

Setores beneficiados, o whisky na dianteira

De acordo com alguns analistas consultados pelo The Wall Street Journal, setores como o whisky escocês, o tabaco e a indústria farmacêutica sairiam intactos ou poderiam mesmo ser beneficiados pela desvalorização da libra, o que reduziria os custos de exportação. Isto se a Escócia decidir manter a libra (a campanha pela independência defende a manutenção da moeda).

O turismo na Escócia também poderia beneficiar de uma moeda mais fraca. Apesar disto, uma empresa de estudos de mercado – LJ Research Ltd. – revelou que 11% dos turistas que potencialmente visitariam a Escócia poderiam deixar de o fazer depois da independência.