Na cabeça da estátua em homenagem ao Duque de Wellington, em Edimburgo, há um chapéu improvisado com um autocolante a dizer “Yes”. Numa rua paralela, o filósofo e economista Adam Smith também votaria (pelo menos assim o revela a estátua) “sim” pela independência da Escócia. Ainda assim, as opiniões continuam divididas e há cada vez mais suspense em torno do resultado do referendo marcado para quinta-feira.

A estátua erigida em memória do Duque de Wellington em 1852 fica numa das ruas mais movimentadas da capital escocesa, a Prince’s Street. Na cabeça do homem que comandou o exército britânico durante as invasões francesas, organizador das Linhas de Torres Vedras, e que mais tarde venceria Napoleão em 1815, na Batalha de Waterloo, foi colocado um cone laranja com um autocolante a favor da independência da Escócia.

Menos evidente é o autocolante colocado na estátua de Adam Smith, o economista expoente do iluminismo escocês que morreu aos 67 anos em Edimburgo, corria o ano de 1790. A estátua localizada perto do antigo parlamento escocês é atração para muitos turistas. A dois dias do referendo, o autocolante colado no topo chama a atenção. O homem conhecido pela “mão invisível” que faz mexer a economia votaria sim?

Apesar das manifestações a favor do Partido Nacionalista Escocês, os autocolantes e cartazes colados em várias janelas da cidade não permitem chegar a conclusões. Há bandeiras escocesas, britânicas, “yes” e “no” (sim e não) por todo o lado. Mas não se fala à vontade do assunto.

O funcionário de uma loja que vende produtos típicos da Escócia diz que não fala porque não é o patrão. “O patrão é um indiano que tem quatro lojas destas e não quer saber de política. Só de negócios”, diz ao Observador.

“E o senhor?”. “Eu não estou autorizado, mas…” E mostra uma fotografia com a cara de um homem pintada com as cores da bandeira da Escócia e a tocar gaita-de-foles. “Sou pela liberdade”, sorri. E anuncia: “este sábado vou para Portugal de férias. Vou para o Carvoeiro”. “E não vai a Lisboa?”. “Sim, se não beber muito…”