Depois de ter avançado com o nome do fundador do PS Nuno Godinho de Matos para concretizar aquilo que diz ser a “promiscuidade” entre política e negócios, António José Seguro voltou a denunciar casos ilustrativos de falta de separação das águas. Desta vez, apontou baterias ao deputado do PSD Paulo Mota Pinto, pelo envolvimento, em 2010, no caso do Hospital Amadora/Sintra, e pela indigitação para a presidência do BES.

O candidato às primárias socialistas falava esta manhã como convidado do Fórum TSF, respondendo a perguntas dos ouvintes. À semelhança do que tinha feito na noite passada na RTP, no frente a frente com António Costa, Seguro voltou a insistir na necessidade de combater essa “promiscuidade” que descreve como “um dos maiores cancros do regime democrático”.

Seguro voltou a dizer que não “mete a cabeça na areia” e que um dos seus objetivos é “combater aqueles que fazem mal à democracia”, porque é isso que, diz, mais mina a confiança dos portugueses. E de seguida tirou mais um exemplo da cartola.

“É inaceitável que um advogado, sendo deputado, possa participar numa arbitragem em que está em causa o Estado e um agente privado, como foi o caso do Hospital Amadora/Sintra”, começou, referindo-se ao deputado Paulo Mota Pinto – como confirmou depois respondendo ao jornalista Manuel Acácio. Na altura, estava em causa um diferendo financeiro entre o grupo Mello, que geria o Amadora/Sintra, e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. Paulo Mota Pinto tinha sido escolhido para integrar a convenção arbitral do processo, um cargo que previa remuneração e, como tal, entrava em incompatibilidade com as suas funções de deputado e também vice-presidente do PSD. Mota Pinto disse, na altura, que abdicou dessa remuneração.

E continuou. “Também não consigo compreender como é que um deputado que é presidente do conselho de fiscalização das secretas é depois indigitado para presidente do BES”, disse. “Está a falar do deputado Paulo Mota Pinto?”, perguntou o jornalista. “Neste caso”.

Já ontem, no debate frente a António Costa, Seguro tinha falado num dos fundadores do PS, Nuno Godinho de Matos, para exemplificar ao que se refere quando fala em “partido invisível”. Neste caso, o secretário-geral do PS apontou o dedo a Godinho de Matos por ter sido administrador não executivo do BES durante os últimos anos e ter admitido em entrevista ao jornal i ter “entrado mudo e saído calado”.

O tópico da separação entre política e negócios, que tem sido uma das bandeiras de Seguro, já está a ser aproveitado pelos seguristas para atirarem mais achas para a fogueira. Terça-feira à noite, a eurodeputada Ana Gomes reagia ao anúncio do apoio a Costa por parte do ex-ministro e ex-mandatário do PS nas recentes eleições europeias António Vitorino, caracterizando-o como um “assumido advogado de negócios”.

Também no blog que mantém na internet, a eurodeputada reiterou a ideia de que o “combate à corrupção e à promiscuidade entre política e negócios está na mesa” para, diz, combater “as rapaziadas das Tecnoformas, onde quer que se infiltrem, incluindo no PS”.