Luís Brito, o diretor-geral da Tecnoforma que foi responsável pela empresa entre 2001 e 2008, afirma que o Centro Português para a Cooperação (CPPC), a ONG presidida por Passos Coelho entre 1997 e 1999, custou cerca de 200 mil contos por ano à Tecnoforma, avança o semanário Expresso na edição deste sábado. Ou seja, um milhão de euros. Os números, no entanto, são negados por Fernando Madeira, diretor da empresa à data dos factos.

De acordo com Luís Brito, o “CPPC representou cerca de 600 mil contos de custos ao longo daqueles três anos”, o que, diz, teria sido uma “despesa incomportável” se fosse apenas tido em conta o volume de negócios da empresa em Portugal. “Nunca vi esses custos refletidos nas contas” da Tecnoforma, acrescenta.

Vistos assim, os números parecem mais elevados do que a ideia passada por Passos Coelho durante o debate quinzenal de sexta-feira, que disse que “não havia possibilidade de aquela ONG despender milhões em iniciativas”. Mas não vão ao encontro das declarações de Fernando Madeira, presidente da Tecnoforma na altura em que o atual primeiro-ministro, na altura deputado, Pedro Passos Coelho, esteve envolvido na fundação daquela ONG. Ao Expresso, Fernando Madeira garantiu que os valores referidos por Luís Brito são “absurdos e falsos”. Mas também não adianta quanto é que foi gasto com o CPPC, para o qual Passos diz ter trabalhado sem remuneração.

Segundo o mesmo jornal, a Tecnoforma manteve durante pelo menos 15 anos, entre 1986 e 2001, uma companhia offshore na ilha de Jersey, onde eram depositados vários milhões de dólares por ano vindos de Angola. A companhia em Jersey – a Form Overseas Limited – funcionaria assim como uma espécie de ‘saco azul’ para as despesas não declaradas em Portugal e não constantes das contas da empresa, escreve o Expresso. O dinheiro, segundo Luís Brito, provinha dos serviços prestados à empresa de petróleo angolana Cabinda Oil Gulf, da Chevron, e era transferido, em quantias regulares, para uma conta da Tecnoforma, em Almada.

“Fernando Madeira era supervisor de formação na Cabinda Oil Gulf e a dada altura propuseram-lhe que fundasse uma empresa para que a formação funcionasse em regime de outsourcing. Foi assim que apareceu a Tecnoforma. Mas depois, como os formadores contratados queriam receber em dólares e era proibido na altura pagar em divisas estrangeiras, surgiu a ideia da offshore”, explica ao Expresso Luís Brito, que começou a trabalhar para a empresa logo que ela foi fundada em 1985, tendo saído em 2001.