A canábis pode ser aditiva, tal como a heroína ou o álcool, causar perturbações mentais e abrir a porta às drogas mais fortes, disse o investigador britânico Wayne Hall, especialista em comportamentos aditivos e consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS), ao Daily Mail. As conclusões fazem parte de um estudo conduzido pelo especialista ao longo de 20 anos e são citadas na imprensa internacional.

Os efeitos secundários não se ficam por aqui. Na mira do investigador inglês, estiveram adolescentes, grávidas ou a relação entre a droga ilegal mais consumida no mundo e doenças como o cancro, a ocorrência de ataques cardíacos ou acidentes de viação. Contudo, o estudo também refere que algumas destas relações podem ser explicadas por outros fatores de risco associados, de acordo com outros investigadores. As conclusões sobre o consumo da droga de “classe B” são várias:

  • Uma em cada seis pessoas que começa a consumir canábis na adolescência pode desenvolver um comportamento aditivo. No total, um em cada dez indivíduos pode ficar dependente.
  • O consumo regular de canábis na adolescência duplica o risco de desenvolvimento de doenças mentais como a esquizofrenia, na fase adulta.
  • Na fase de abstinência, os consumidores sofrem de ansiedade, insónias, perda de apetite e depressão.
  • Conduzir sob o efeito da droga duplica o risco de sofrer um acidente de viação. Se juntar o consumo de canábis ao de bebidas alcoólicas, o risco aumenta ainda mais.
  • O desenvolvimento cognitivo dos adolescentes que consomem canábis pode ficar afetado.
  • Grávidas que consomem canábis podem ter filhos com peso mais mais reduzido à nascença.
  • Não há overdoses mortais de canábis.
  • O processo de desintoxicação dos dependentes de canábis é semelhante ao dos dependentes do álcool.

“Se a canábis não for aditiva, então também não e a heroína nem o álcool”, disse Hall ao Daily Mail, acrescentando que o tratamento de desintoxicação de consumidores dependentes pode ser mais difícil do que os que dependem da heroína. “Simplesmente, não sabemos como fazê-lo”, disse. Menos de metade dos consumidores de canábis consegue ficar longe da droga durante seis meses ou mais, segundo o estudo. Os restantes voltam a consumir nesse espaço de tempo.

Apesar de não ser possível morrer com uma overdose de canábis, o especialista diz que o consumo pode danificar “seriamente” a sanidade mental. “O que estou a tentar dizer de importante é que as pessoas podem ter problemas com o consumo de canábis, sobretudo se incorrerem num consumo diário durante um longo período de tempo”, refere.