Armadilha, abuso e fraude. Foram estes alguns dos termos usados por Carlos Queiroz para descrever a ação do Grupo Espírito Santo no Dubai, numa entrevista ao Mais Futebol e TVI. O ex-selecionador de Portugal admitiu que perdeu “uma fortuna”, que dizem respeito a “metade da vida de trabalho”.

Carlos Queiróz acusou o ES Bankers, um banco pertencente ao Grupo Espírito Santo no Dubai, de transferir “uma fortuna” para a RioForte de uma forma fraudulenta. “A história é simples: numa armadilha, responsáveis do banco mandam-me uma comunicação a dizer que havia relevantes riscos na aplicação de dinheiro na RioForte e garantiram-me que não tomavam mais nenhuma decisão de fazer aplicações se não for eu, Carlos Queiroz, a tomar essa iniciativa”, começou por explicar o atual selecionador do Irão.

E continuou: “Uns dias depois, debaixo de uma pressão enorme de Lisboa, como me disseram que havia telefonemas e pressões enormes, um diretor comercial do ES Bankers foi à minha conta, tirou uma fortuna, tirou mais de metade da minha vida de trabalho, e mandou para os senhores da RioForte. Pôs os meus fundos, que tinha guardado exclusivamente para apoiar a minha reforma, na RioForte de uma forma fraudulenta e abusiva.”

Carlos Queiroz, atualmente a residir em Teerão, no Irão, informou que viu desaparecer “mais de quinze anos” da reforma. O treinador não conta reaver o dinheiro e acusa Portugal de ser “um país de impunidade”, onde se “assobia para o lado”.

Carlos Queiroz, de 61 anos, assinou contrato com a federação de futebol iraniana em abril de 2011. Segundo a imprensa local, o contrato previa uma remuneração a rondar os 1.5 milhões de euros.

A carreira do português começou nos finais dos anos 80 nas camadas jovens da Federação Portuguesa de Futebol. Seguiu-se a seleção principal, Sporting, New York Metro Stars, Nagoya Grampus e as seleções dos Emirados Árabes Unidos e África do Sul. Em 2002 chegou à elite do futebol europeu: foi o braço direito de Alex Ferguson no Manchester United durante cinco anos, com uma passagem pelo meio no Real Madrid, como treinador principal. Queiroz assumiu novamente a seleção portuguesa em 2007, numa aventura que terminaria em 2010, após o Campeonato do Mundo na África do Sul.