O primeiro-ministro disse hoje que Portugal não tem “muita margem para poder relaxar” na consolidação orçamental e que tem de “manter uma linha de disciplina e rigor” para cumprir o compromisso de reduzir o défice.

“Não vou fazer nenhuma antecipação da proposta do Orçamento do Estado a submeter ao Parlamento (…) Do que já afirmei é evidente que Portugal não tem muita margem para poder relaxar a sua política, que no essencial visa diminuir o défice público”, disse hoje Passos Coelhos aos jornalistas, à margem da cimeira do emprego em que participou em Milão (Itália).

O chefe de Governo tinha sido questionado sobre o facto de a França e a Itália terem pedido mais tempo para cumprir as metas de défice orçamental. A França diz que só consegue cumprir a meta dos 3% de défice público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, em vez de 2015, o que obrigará a uma tomada posição da Comissão Europeia. Já a Itália, que tem contudo um défice abaixo dos 3% do PIB, propõe-se ter um défice de 2,8% em 2015, em vez dos 1,8% previstos.

Sobre Portugal, Passos Coelho disse que o défice chegará ao final do ano nos 4% do PIB, acrescentando que o caminho da redução do défice é para continuar: “Isso significa manter uma linha de disciplina e rigor nos próximos anos e não só em 2015”.

Recentemente, a meta do défice deste ano foi revista de 4% para 4,8%, devido ao novo sistema europeu de contas, o que o Governo tem considerado que já era previsto pelos credores.

A proposta de lei do Orçamento do Estado terá de ser submetida ao parlamento até dia 15 deste mês, sendo que este sábado o Conselho de Ministros reúne-se extraordinariamente para discutir o documento.