Malala Yousafzai estava numa aula de química quando soube que ganhou o Prémio Nobel da Paz. À primeira, quando os colegas lhe disseram, não acreditou. Mas depois veio um professor à sala de aula para lhe dar a novidade. A ativista dos direitos das mulheres à educação não saiu da aula, fazendo jus à sua causa. Foi a todas as seguintes, até terminar o dia escolar, contou, no discurso de reação ao prémio, proferido nesta sexta-feira.

“Tenho um sonho, como todas as crianças têm, ser uma boa política no futuro. Se não pudesse ir à escola não poderia ser o que quero”, afirmou, incitando todas as crianças do mundo a lutarem “pelos seus direitos”. “Todos têm de ouvir. Todas as crianças têm o direito a receber uma educação”, reiterou.

No discurso, Malala contou que, pouco antes, esteve ao telefone com Kailash Satyarthi, o outro vencedor do prémio da paz, e que decidiram aliar-se numa batalha conjunta “pelos direitos humanos.” Os dois combinaram convidar os primeiros-ministros do Paquistão e da Índia para estarem presentes na cerimónia de entrega do prémio, em dezembro. “É o meu pedido humilde”, explicou.

“Estou feliz por não estar sozinha nesta missão de lutar pelas crianças”, disse, lembrando que diferenças de “cor de pele ou religião” não fazem sentido e que foi bom que este prémio tenha sido dado em conjunto a dois ativistas.