Logo após o anúncio do Windows 10 como sucessor do Windows 8, a Microsoft disponibilizou gratuitamente uma versão preliminar do sistema operativo chamada Technical Preview for Enterprise, para que os utilizadores e curiosos possam testar as suas novas funções. Segundo Terry Myerson, vice-presidente executivo do grupo de Sistemas Operativos da Microsoft, o objetivo é aprender sobre o sistema a partir do seu público, antes do lançamento oficial previsto para o primeiro semestre de 2015, com foco nas empresas e no mundo corporativo. E com tantos utilizadores particulares no mundo, porque é esta a prioridade da Microsoft?

“O Windows 10 está orientado à utilização empresarial e desktop. Estamos num cenário em que as empresas ainda utilizam o Windows 7 e o que queremos é dar-lhes a oportunidade de fazer um upgrade”, explica Rita Santos, responsável pela área de negócio da Microsoft Portugal. A ideia é que, depois de experimentar o novo sistema operativo, as empresas que ainda usam as versões antigas do Windows façam a migração para o novo sistema operativo.

De facto, de acordo com os dados da empresa de consultoria Net Market Share sobre o uso de sistemas operativos em ambiente desktop no mundo, de julho a setembro de 2014 as quotas de mercado do Windows 8 e do Windows 8.1 eram de 5,94% e 6,78% respetivamente, enquanto o Windows XP tinha 24,19% e o Windows 7 representava 51,69%. Ainda assim, superam o Mac Os X 10.9 com 4,16% e Linux com 1,66% de representação no mercado.

Sobre a concorrência com outros sistemas operativos open source, Rita assegura: “Continuamos a ter uma boa receção entre as pequenas e médias empresas. Temos um bom produto e oferecemos suporte. Estamos atentos à concorrência – é o que faz o mundo empresarial caminhar”.

Para conquistar as empresas, o Windows 10 aposta no tripé convergência, segurança e facilidade para a gestão.

As armas do Windows 10

A ideia de convergência do Windows 10 é dar ao utilizador uma experiência semelhante em todos os dispositivos, desde computadores a consolas, passando por smartphones e tablets. “Para o utilizador de desktop, há uma transição fácil do Windows 7 para o 10, ao mesmo tempo que permite a experiência mobile entre dispositivos”, explica Rita Santos. Nesta experiência transversal, a única mudança é a adaptação do tamanho do ecrã e o suporte ao touch screen, de acordo com o dispositivo. Esta abordagem aproxima o Windows das distribuições Linux, nas quais o sistema operacional é separado da interface gráfica, mesmo que tenham implementações diferentes.

Em relação à segurança, Nino Torres, responsável da Microsoft Portugal para o setor empresarial, explica a preocupação da empresa. “Hoje em dia a informação protegida é distribuída e móvel e há uma maior exposição a ataques. Queremos dar suporte tanto do ponto de vista da segurança quanto da gestão.” Para isto, o Windows 10 dará à empresa a possibilidade de reforçar a segurança, através da autenticação por SMS da password e VPN (Rede Privada Virtual) específica para aplicações. “Quando se ataca uma password, ela pode ser usada para entrar no sistema corporativo, porque o elo fraco é o utilizador. Por isso, o segundo fator de segurança é o seu dispositivo móvel, que garante que o utilizador é quem é”, explica.

Este sistema de autenticação já acontece em redes sociais como o Facebook e no Gmail e será agora transportado para a nova plataforma. Quando o Windows 10 detetar a autenticação do utilizador na rede corporativa a uma determinada hora, local ou dispositivo não usual, enviará outro pedido de validação. “Só quando a aplicação estiver ativa, poderá aceder àquele canal de comunicação. Qualquer desvio deste canal pode ser identificado”, assegura Nino Torres.

No que diz respeito à gestão, a novidade do Windows 10 é a melhoria no deployment, que é o processo de instalar um software em diversos computadores para organizar e facilitar a manutenção da rede local após a sua implementação. Como as atualizações agora são locais, um utilizador pode ir para casa e, quando voltar no dia seguinte, encontrará um novo sistema operativo ou um novo pacote de ferramentas de trabalho, sem ter perdido acesso aos seus dados, poupando tempo. “Formatar e reinstalar o sistema operativo é algo que queremos acabar ou pelo menos minimizar”, explica Nino Torres. As empresas também poderão ter a sua própria loja de aplicações e soluções dentro da loja do Windows, com autorizações específicas para comprar aplicativos relevantes às empresas com um modelo de gestão local.

Não há previsões para a data de lançamento oficial do Windows 10 nem para a divulgação do seu preço. Por enquanto, os utilizadores terão de contentar-se com o technical preview, que estará disponível gratuitamente até o dia 15 de abril com uma versão em português do Brasil. No site da Microsoft, há um tutorial de instalação, mas é importante considerar se os drivers do computador são compatíveis com o novo sistema operativo.