O chefe executivo de Hong Kong, CY Leung, tentou serenar os ânimos e revelou a intenção de dialogar com os líderes estudantis da “Revolução dos chapéus-de-chuva”, conta a Associated Press. A proposta chegou depois da publicação de um vídeo captado pela TVB, uma estação de televisão afeta ao Executivo, que mostra agressões a um manifestante, Ken Tsang, por parte da polícia. O homem estava algemado e foi levado para o que parece ser uma espécie de armazém. Os sete polícias envolvidos estão suspensos.

Leung admitiu o encontro com os estudantes na próxima semana, mas pediu pragmatismo. Ou seja, não vale a pena terem expectativas de que Pequim mudará as leis da próxima eleição do chefe executivo da antiga colónia britânica: o governo chinês terá interferência na escolha.

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Alex Chow, membro da Federação de Estudantes de Hong Kong, apreciou a oferta de Leung, mas criticou o tal aviso à tripulação, que sugere que nada mudará. No início do protesto, que vai já na terceira semana, exigia-se a demissão do atual chefe executivo e mais medidas no sentido da autodeterminação, algo que até era suposto acontecer em 2017, mas Pequim mudou de ideias.

“Eu prestei atenção ao que [Leung] disse, mas não consegui encontrar nada construtivo. Ele não disse nada de novo e não penso que vá resolver este impasse”, disse Tong Wing-ho, de 26 anos, à AP.

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Os manifestantes têm procurado ocupar estradas importantes para bloquear o acesso ao coração financeiro de Hong Kong. A polícia, que já os dispersou de uma das estradas, tem respondido com gás pimenta e detenções. Têm sido registados confrontos, que devem aumentar com a publicação do vídeo da agressão a Tsang. Também há locais contra os insurgentes, por isso as ruas de Hong Kong continuam em sobressalto. “Não podemos permitir que a ocupação das ruas tenham um impacto negativo na sociedade de Hong Kong. A polícia usará os métodos apropriados para lidar com este problema”, avisou Leung, garantindo que a situação “não pode continuar indefinidamente”.