A Portugal Telecom e os outros credores da RioForte, dos maiores aos mais pequenos, passariam a acionistas da “holding” do Grupo Espírito Santo (GES) se a juíza luxemburguesa tivesse aprovado o processo de “gestão controlada”. A Portugal Telecom ficaria com 33% do capital e receberia 225 milhões de euros ao longo de 10 anos, cerca de um quarto do montante que aplicou em papel comercial da RioForte.

Segundo o Jornal de Negócios, o plano de salvamento da RioForte através de um processo de “gestão controlada” no Luxemburgo previa que a Portugal Telecom recuperaria 225 milhões dos 897 milhões de euros que aplicou em instrumentos de dívida da empresa do GES. Mas esse valor só seria recuperado ao fim de 10 anos, com os credores – entre os quais a Portugal Telecom – a transformarem-se em acionistas. O plano foi rejeitado pela juíza Anick Wolff, o que coloca a “holding” do GES à beira da insolvência.

O plano proposto, a executar em dez anos, previa que 75% da dívida da Rioforte, 2.025 milhões de euros, fosse convertida em capital, que passaria a ser detido apenas pelos credores. Desta forma, a sociedade reduziria o passivo remunerado de cerca de 2.700 milhões, em termos individuais, para 675 milhões. Ao mesmo tempo, comprometia-se a reembolsar a dívida ao fim de dez anos, com os proveitos gerados pela venda e gestão dos ativos da “holding”.

O Jornal de Negócios acrescenta que a proposta não terá agradado a vários investidores institucionais que aplicaram centenas de milhões de euros em instrumentos de dívida da Rioforte. Estes credores terão privilegiado a solução da insolvência que, mesmo reduzindo a fatia de capital a recuperar, deverá permitir reaver parte dos fundos num prazo inferior aos dez anos previstos no plano, nota o jornal.

Uma vez rejeitado este plano, a PT e os restantes credores irão receber uma quota-parte dos proveitos que forem sendo gerados pela venda de ativos da Rioforte. O tribunal luxemburguês já tem à sua guarda os 134 milhões de euros que a Rioforte encaixou com a venda da Espírito Santo Saúde à Fidelidade. O Negócios explica que tendo em conta que a PT é credora de um terço da dívida da RioForte, no caso de todo aquele valor se destinar aos credores comuns, o grupo de telecomunicações terá direito a 44,66 milhões deste encaixe.