O primeiro-ministro está confiante de que o reforço das interligações de Portugal e Espanha com as redes elétricas europeias vai permitir aumentar as exportações nacionais de energia e atrair mais investimento.

No final do Conselho Europeu dominado pelo pacote de energia e alterações climáticas, Pedro Passos Coelho procurou sublinhar as vantagens do aumento das metas de interligações elétricas, para 10% do consumo ibérico, ainda que Portugal tenha falhado o objetivo de as tornar vinculativas, não obstante o ultimato que o primeiro-ministro terá feito.

Era muito importante para Portugal que depois da aposta nas renováveis, fossem criadas as condições para “rentabilizar esse investimento e aumentar as exportações de energia”, disse. Com o compromisso da Comissão Europeia em promover e monitorizar o reforço das interligações das redes de energia elétrica de Península Ibérica com o resto da Europa, “vamos conseguir produzir mais energia e podemos atrair mais investimento”, realçou o primeiro-ministro na conferência de imprensa que se realizou no final do Conselho Europeu.

Com o compromisso agora alcançado, Passos Coelho manifestou confiança de que os investidores privados terão confiança para voltar a investir na energia, um mercado que tem sido penalizado por excesso de capacidade de produção que não pode ser escoada devido às limitações à venda de eletricidade para além dos Pirinéus.

Desde 2002 que estava previsto o reforço das interligações de energia na União Europeia, mas o projeto não avançou devido à oposição de alguns países grandes produtores de eletricidade. A França tem sido apontada como o maior obstáculo ao aumento da ligação da Península Ibérica com a Europa, atualmente limitada a 1,4% do mercado ibérico.

Pedro Passos Coelho reconheceu que sem a disponibilidade do governo francês “não se teria chegado a este entendimento”. O Conselho Europeu aprovou o objetivo de aumentar a capacidade de interligação das redes elétricas para 10% até 2020 e para 15% até 2030, com especial foco na Península Ibérica e nos países bálticos. As metas não são vinculativas, mas Bruxelas compromete-se a promover e apoiar financeiramente os investimentos e a monitorizar o progresso destes objetivos.

O primeiro-ministro realçou ainda que Portugal será um dos “beneficiários prioritários” dos fundos que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, prometeu disponibilizar para o financiamento das infraestruturas de interligação de um pacote global de 300 mil milhões de euros.