Assim que se aposentam, os aforradores não têm de passar logo as poupanças para produtos menos arriscados, como depósitos a prazo e Certificados de Aforro. Atualmente, a esperança média de vida dos homens de 66 anos é de mais de 16 anos, enquanto a das mulheres da mesma idade é de quase 20 anos, revelam as tábuas de mortalidade publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística. Com os avanços médicos, espera-se que estes números se dilatem.

Se estiverem bem de saúde, os aforradores aos 66 anos devem fazer duas coisas:

  • Resgatar mensalmente os montantes que necessitarem para compensar a perda de poder de compra registada com a passagem à aposentação. Os últimos cálculos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico indicam que os pensionistas portugueses perdem cerca de um terço do rendimento.
  • Transferir progressiva e lentamente as aplicações mais arriscadas para as aplicações conservadoras. Tudo o que não é necessário na próxima década pode ficar em instrumentos com algum risco para aumentar as probabilidades de fazer crescer o património, a não ser que o reformado seja completamente avesso ao risco.

Esqueça o dinheiro

Muitos aposentados não querem pensar no dinheiro, muito menos em escolher as aplicações certas. A solução é comprar uma renda vitalícia.

É possível ir a uma companhia de seguros e entregar todo o seu pé-de-meia em troca de um complemento à sua pensão. Como as mulheres vivem mais tempo, em média, sai-lhes mais caro adquirir uma renda vitalícia. Enquanto 200 mil euros devem conseguir comprar uma renda mensal de perto de mil euros a um cavalheiro de 66 anos, a mesma poupança deve oferecer uma prestação bastante inferior a 900 euros a uma senhora com a mesma idade.

Há várias modalidades nas rendas vitalícias. A reversibilidade, por exemplo, permite a transferência do direito a receber a renda quando o cônjuge que a contratou morreu. Também se pode optar por rendas crescentes, de modo a acompanharem de algum modo a inflação.

Como é uma decisão literalmente para o resto da vida, é preciso um especial cuidado na decisão, visitando o maior número possível de companhias de seguros e, se possível, repartindo o capital por mais do que uma seguradora.