O Banco de Portugal adotou ao longo dos últimos quatro anos “um modelo de supervisão mais intrusivo, com maior enfoque no risco e de cariz mais transversal e prospetivo”, escreve Carlos Costa em artigo de opinião publicado nesta terça-feira no Diário de Notícias. Para o governador do Banco de Portugal, essa supervisão, aliada às ações adotadas pelos diferentes bancos, contribuiu para a “resiliência e a capitalização adequada dos bancos portugueses”, comprovada pelos resultados do recente exame do Banco Central Europeu (BCE) ao setor.

Em artigo de opinião publicado no dia em que a supervisão dos maiores bancos da zona euro passa para o Mecanismo Único de Supervisão, sob a alçada do BCE, Carlos Costa diz que “os resultados da AQR [avaliação à qualidade dos ativos] e do teste de esforço permitiram mostrar que os bancos nacionais abrangidos pelo exercício são robustos”. Numa referência ao BCP, o governador do Banco de Portugal diz que “a única instituição para a qual foram projetados défices de capital no cenário adverso do teste de esforço – um cenário particularmente gravoso e improvável – já identificou um conjunto de medidas para cobrir a diferença apurada”.

Para a resiliência que Carlos Costa encontra nos bancos portugueses contribuiu “o trabalho de supervisão do Banco de Portugal nos últimos quatro anos, bem como as ações adotadas pelos diferentes bancos”. Os bancos “foram sujeitos a um amplo e intenso escrutínio a todas as áreas e rubricas dos balanços, reconheceram imparidades e reforçaram o capital”. Já o Banco de Portugal “adotou um modelo de supervisão mais intrusivo, com maior enfoque no risco e de cariz mais transversal e prospetivo”.

O “ciclo de inspeções transversais iniciado em 2011”, destaca o governador, teve como “objetivo de assegurar que os níveis de imparidade reconhecidos pelos bancos eram adequados e que as metodologias e procedimentos, incluindo a valorização dos colaterais associados às exposições, eram conservadores e estavam alinhados com as melhores práticas”.

Com o Mecanismo Único de Supervisão, um “momento histórico do projeto europeu”, “espera-se um impacto muito positivo para a área do euro e para a economia portuguesa em particular”, diz o governador do Banco de Portugal.

Com a União Bancária, Carlos Costa acredita que haverá “condições de financiamento para as empresas e famílias que deixam de ser influenciadas pelo risco do Estado-soberano” e “as contas públicas ficam agora imunes a acidentes no sistema financeiro”. Além disso, a confiança dos depositantes e a estabilidade do sistema financeiro europeu serão reforçadas”, remata o governador do Banco de Portugal.