Mais de 30.000 pessoas manifestaram-se hoje em Tbilisi, capital da Geórgia, contra o governo e a política de Moscovo, respondendo ao apelo do ex-presidente Mikheil Saakachvili, do Movimento Nacional Unido.

Empunhando bandeiras da Geórgia e da Ucrânia e cartazes onde se lia “Stop Putin”, os manifestantes concentraram-se nas principais ruas da cidade.

Mikheil Saakachvili, hoje procurado pela justiça da Geórgia, juntou-se à manifestação, que clamava o seu nome, através de uma transmissão em vídeo a partir de Kiev.

“Mostremos ao governo da Geórgia que a nação está unida face à grave ameaça contra a sua independência e o ser futuro”, disse o ex-presidente.

O partido de Mikheil Saakachvili acusa a coligação no poder – Sonho georgiano – de não se opor à Rússia sobre o apoio que esta dá à Abrásia e a Ossétia do sul.

Estes dois pequenos territórios proclamaram a sua independência da Geórgia depois das guerras civis no início dos anos 1990 que se seguiram ao desmembramento da União Soviética. Moscovo reconheceu oficialmente a independência depois da guerra que o opôs à Geórgia em agosto de 2008.

A Rússia tomou recentemente medidas para integrar estas regiões separatistas e ofereceu-lhes acordos de “aliança e integração” que reforçam profundamente as suas ligações com Moscovo.

Esta atitude foi condenada por Tbilisi que a considerou uma “nova etapa contra a soberania e a integridade territorial da Geórgia”.

A coligação do Sonho georgiano, no qual milita o antigo primeiro-ministro e bilionário Bidzina Ivanichvili, chegou ao poder em 2012 pondo fim a um decénio de governação do pró-ocidental Mikheil Saakachvili e do seu partido.

Muitos antigos responsáveis da administração de Mikheil Saakachvili foram detidos nos últimos anos, alguns dos quais continuam presos.

Acusado pela justiça de abuso de poder e procurado no seu país, Mikeil Saakachvili vive em exílio nos Estados Unidos e recusa-se a regressar à Geórgia, para ser interrogado, alegando que as acusações contra si têm caráter político.