Pelo menos 86 pessoas foram detidas e mais de dez ficaram feridas, esta madrugada, em Hong Kong, na sequência de confrontos entre polícias e manifestantes. A detenção ocorreu devido à remoção parcial de barricadas no densamente povoado bairro de Mong Kok.

A polícia, que destacou milhares de agentes, recorreu ao uso de gás pimenta e bastões para dissuadir os manifestantes de ocuparem novas ruas no bairro depois de terem desimpedido uma das zonas tomadas pelos protestos há quase dois meses.

A polícia da antiga colónia britânica deteve 86 pessoas, acusadas designadamente de reunião ilegal, agressão a um agente, posse de arma e obstrução às autoridades, durante a tensão que se prolongou durante 12 horas até às 03:00 de hoje (19 horas de sexta-feira em Lisboa), informou as autoridades em comunicado.

Além das detenções, nove polícias tiveram de ser tratados por ferimentos, desconhecendo-se o número concreto de manifestantes que precisaram de receber assistência médica.

Os confrontos começaram cerca das 15 horas de terça-feira (07 horas em Lisboa), depois de agentes terem ajudado funcionários judiciais a desimpedir um troço de uma rua do bairro de Mong Kok, executando um ordem judicial que determinava a desobstrução da área tomada pelos protestos.

Uma vez desimpedida a rua, os manifestantes concentraram-se nas imediações, desobedecendo às ordens policiais para abandonarem o local. A tensão foi elevando-se, enquanto centenas de agentes tentavam formar cordões nos cruzamentos da rua para evitar que os manifestantes expandissem as barricadas.

Os manifestantes tentaram levantar novas barreiras em novas ruas e cortaram temporariamente o trânsito em duas vias. O tenso frente-a-frente entre polícias e manifestantes pró-democracia em Hong Kong continua esta quarta-feira.

Isto porque a operação de Mong Kok, considerada de alto risco, prevê o desmantelamento do acampamento montado na Nathan Road, onde centenas de tendas ocupam um troço de mais de meio quilómetro da rua, uma das grandes artérias da península de Kowloon.

O bairro de Mong Kok, densamente povoado e onde se concentra grande atividade comercial e turística da antiga colónia britânica, foi palco dos mais violentos confrontos desde o início dos protestos.

Com o apoio popular ao movimento a baixar, os manifestantes instalados no bairro recusam-se a deixar as ruas quando se cumprem hoje 60 dias desde o início dos protestos, sem precedentes, desde que a transferência de Hong Kong para a China, em 1997.