Chega a um hotel. Vem de longe, passou horas enfiado num avião ou autocarro, o que seja. A ideia aqui é que não dispôs de acesso à Internet enquanto esteve em viagem. A chegada ao quarto de hotel, onde larga as mãos e agarra o computador portátil, o tablet ou o smartphone, serviria para se “ligar” ao mundo e voltar a ter acesso à rede global. Ou não necessariamente — se tiver feito uma reserva num hotel em Portugal.

Isto porque apenas 54,49% dos alojamentos hoteleiros no país dispõem de ligação à Internet a partir dos quartos. Uma percentagem que, entre 35 países, coloca Portugal no 31.º lugar, segundo a Trivago, um motor de busca e reserva online de hotéis.

Esta posição deixa os hotéis portugueses a par das unidades hoteleiras da Bulgária (30.º), Áustria (32.º), Grécia (33.º), Espanha (34.º) e Chipre (35.º), que ocupam as restantes posição no fim da classificação. Este ranking, porém, não especifica quantos hotéis portugueses constam na base de dados da Trivago, nem o número de estrelas que cada um ostenta. E isso até pode interessar.

E o Quartz explicou porquê. Hoje, várias cadeias mundiais de hotéis disponibilizam redes sem fios de Internet nos quartos dos seus hotéis de gama baixa, e não dos de gama elevada. A cadeia Hilton, por exemplo, apenas o faz nas unidades do Garden Inn e nas restantes com serviços de alojamentos a preços mais reduzidos. Ou seja, quem pagar mais por um quarto terá de, acrescidamente, pagar para ter acesso à rede wireless.

Como tal, se a prioridade for ter o conforto de uma cama e a comodidade da Internet, talvez seja melhor escolher um hotel de três estrelas, ao invés de um de cinco. “Os hotéis baseiam-se no segmento ao qual apontam”, referiu Donna Quadri-Felitti, professora na faculdade Hotelaria e Turismo da Universidade de Nova Iorque, ao Quartz, antes de explicar que as cadeias perceberam que o acesso a uma rede wi-fi é uma necessidade para os viajantes de negócios.

Nos hotéis com preços mais elevados por quarto, prosseguiu, é frequente as cadeias disponibilizarem o acesso sem custos à Internet apenas a clientes que adiram a pacotes de alojamento específicos. E o acesso à “net“, a par de pequenos-almoços grátis, parece ser a comodidade que os clientes mais prezam na altura de escolher o hotel onde ficar, segundo um estudo do site Hotels.com, divulgado em setembro.

Voltando a Portugal, o país, ainda assim, aumentou em quase 10% a percentagem de hotéis com acesso a uma rede de Internet nos quartos, face a 2013 — o ano passado, o mesmo ranking mostrava que apenas 45,21% dos alojamentos portugueses o conseguiam fazer.

No lado oposto da tabela, a liderança é ocupada pelos EUA, com 88,53% dos hotéis “ligados”, sendo seguido pelo Canadá (87,39%) e pela Nova Zelândia (83,96%). Em 2013, porém, e de acordo com um relatório da Hotel Chatter, baseado em dados recolhidos entre fevereiro e março desse ano, apenas 64% dos hotéis no mundo ofereciam o acesso gratuito à Internet.

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