Foi talvez o discurso mais aplaudido da tarde. Manuel Alegre subiu ao palco do XX congresso do PS para primeiro dizer que o partido, apesar do caso José Sócrates, “não está assombrado” e que os socialistas “não têm medo de fantasmas”, para depois deixar um caderno de encargos a António Costa: governar com os valores da esquerda e com a esquerda e fazer um pacto para renegociar a dívida pública. Dois temas caros ao novo líder do PS.

O histórico socialista começou por dizer que os “socialistas conseguiram ultrapassar o forte choque emocional e colocar acima dos seus sentimentos a responsabilidade política do PS” e essa, foi “uma vitória de António Costa. Sem nunca referir o nome de José Sócrates, Alegre defendeu que ao contrário do que diz a direita, o PS “não está assombrado e nós não temos medos de fantasmas”.

Fechado o caso que está a pairar sobre este congresso, Manuel Alegre desfiou algumas ideias que quer ver seguidas por António Costa. Em primeiro, quer que Costa governe “com os valores da esquerda”.

“Há muitas pressões, muitos cantos de sereia. A razão principal do meu apoio a António Costa é que eu sei que ele hoje, como há 40 anos Mário Soares saberá defender e preservar a autonomia estratégica do PS. Ele resistirá aos cantos de sereia e não permitirá que o PS seja uma muleta da direita ou o terceiro partido da direita portuguesa (…) Nós não somos um PSD menos, somos um PS mais”.

Mas Alegre até admite as dificuldades de falar com os partidos à esquerda: “Não é fácil dialogar com partidos da esquerda que não só não querem dialogar como não querem fazer parte de Governo”. Mas, também “não é fácil dialogar com aquela direita que quase destruiu o país em três anos”. Ora se para Alegre há dificuldades de ambos os lados, o que deve Costa fazer “é lutar sem complexos e sem tibieza por uma maioria absoluta”.

Alegre não terá ouvido Carlos César, agora presidente do partido fazer ele próprio uma crítica à esquerda. Nem Marcos Perestrello, líder da federação de Lisboa, que também criticou os partidos à esquerda do PS.

O segundo ponto do caderno de encargos de Alegre a Costa é o de este fazer um “pacto nacional e europeu para renegociação da dívida. Um pacto nacional e europeu para libertar o país os constrangimentos do Tratado Orçamental porque dessa maneira nunca poderemos pagar a dívida nem sair desta situação de recessão”. Este é outro dos pontos que ainda não foi muito abordado no congresso. António Costa, ao contrário de alguns seus apoiantes não fala em renegociar ou reestruturar e pede uma nova interpretação do Tratado Orçamental que facilite os estados na gestão da dívida pública.