O presidente de Cabo Verde apelou esta terça-feira aos cabo-verdianos que ofereçam um dia de salário como forma de apoiar as vítimas da erupção vulcânica que assola há 17 dias a ilha cabo-verdiana do Fogo.

Num comunicado da Presidência cabo-verdiana, Jorge Carlos Fonseca adiantou que a proposta vai ser “desenvolvida e articulada” em conjunto com as câmaras municipais e de comércio, centrais sindicais, administração pública e os “segmentos da sociedade”, estendendo-se à comunidade cabo-verdiana na diáspora.

“O chefe de Estado pede um esforço adicional a todos os cabo-verdianos e lança a ideia de ‘um dia nacional de salário de apoio e solidariedade às vítimas da erupção vulcânica'”, lê-se no documento, em que Jorge Carlos Fonseca assume ter ficado com a “alma sofrida” após a visita efetuada à ilha do Fogo, há cerca de uma semana.

Jorge Carlos Fonseca, no comunicado, mostra-se esperançado na ideia de que, através da partilha de todos, que estende ainda à comunidade internacional, se possa “aliviar o sofrimento das populações afetadas pelas lavas.

“Foi muito bom ter estado com as pessoas e dar palavras de estímulo e de conforto”, referiu Jorge Carlos Fonseca, que termina elogiando o trabalho de articulação conseguido pelos técnicos da Proteção Civil, por elementos das Forças Armadas e da Polícia Nacional e por responsáveis das câmaras municipais e da Cruz Vermelha.

Segunda-feira, o Governo cabo-verdiano propôs que, no quadro do orçamento de Estado para 2015, se subisse o IVA de 15% para 15,5%, assunto que está ainda em discussão no Parlamento, com a oposição recetiva para analisar a questão.

Hoje, está em curso uma reunião entre o Governo de Cabo Verde e representantes diplomáticos de quase duas dezenas de embaixadas, entre elas a de Portugal, e organismos internacionais para coordenar a assistência internacional, que tem sido significativa, tal como já reconheceu o primeiro-ministro José Maria Neves.

Após 19 anos sem dar sinais tão evidentes – a última erupção registou-se em 1995 -, o vulcão do Fogo voltou, no passado dia 23 de novembro, a semear a destruição em todo o planalto de Chã das Caldeiras, com a lava a consumir a sede/museu do Parque Natural da ilha e as povoações de Portela e Bangaeira que, juntas, contavam com cerca de 1.500 habitantes, entretanto realojadas.

Após 17 dias de erupções, algumas delas violentas, a lava parou num vale descendente logo após Bangaeira, no nordeste do planalto, e ameaça outras localidades do norte da ilha, sobretudo as localidades de Cutelo Alto e Fonsaco, cuja população, estimada em cerca de 2.300 pessoas, estão já em alerta para uma eventual retirada.

Dos, para já, 1.500 retirados de Portela e Bangaeira, 850 estão instalados em três centros de acolhimento criados na ilha, com os restantes dispersos por casas de familiares ou de amigos, estando em curso também uma vasta campanha de solidariedade nacional que tem permitido que nada falte aos desalojados.