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Mundial de Clubes

Reforma adiada? Há quem não queira Proença na final do Mundial de Clubes

Pedro Proença disse que se basearia na "prestação" no Mundial de Clubes para decidir se abandonava a arbitragem: o objetivo era apitar a final. Mas o presidente do San Lorenzo não quer lá o português.

O presidente do San Lorenzo, clube argentino que estará na final do Mundial de Clubes, contra o Real Madrid, preferia que não fosse Pedro Proença a apitar o jogo

Laurence Griffiths/Getty Images

Nem ai, nem ui. Foi um assim-assim. Não garantiu nem desmentiu nada. A dúvida, para um árbitro, é como o inimigo público número um e, num relvado, a certeza nas decisões que o levam a soprar no apito tem que ser a melhor amiga. Mas Pedro Proença nada fez para acabar com uma suspeita — aliás, até a criou. “A performance a que conseguirmos chegar nesta competição será fundamental para depois avaliar essa questão”, resumiu, a 2 de dezembro, dias antes de arrumar as malas e entrar num avião para Marrocos, rumo ao Mundial de Clubes. E a questão era se apitaria, ou não, a final da competição.

Seria um marco na carreira do português. Mais um, depois de, em 2012, ter apitado a final da Liga dos Campeões e a do Europeu da Polónia e da Ucrânia. No mesmo ano até foi considerado o melhor árbitro do mundo pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. No último verão faltou-lhe a decisão do Copa do Mundo no Brasil. “Talvez pudesse ter sido feito mais”, chegou a dizer. Agora resta-lhe a final do Mundial de Clubes: e, ao que parece, alguém vai fazer com que Pedro Proença não esteja lá.

Chama-se Matías Lammens e, aos 34 anos (sim, nasceu em 1980), é presidente do San Lorenzo, equipa argentina que estará na final contra o Real Madrid. Leandro Romagnoli, o capitão e argentino que, em tempos, andou pelo Sporting (2006-2009), é só um ano mais novo que o líder do clube, por exemplo. O tal presidente que, em entrevista ao diário espanhol As, admitiu que “seria mais lógico” a final ser apitada “por um árbitro de outro continente”, que não o europeu.

O chefe do San Lorenzo, vencedor, em 2013, da Copa dos Libertadores, já teve “a oportunidade de estar com pessoas da FIFA” e disse que “seguramente” tentará “influenciar” a escolha da entidade quanto ao árbitro designado para a final da prova — agendada para as 19h30 de sábado, em Marraquexe. “Gostava que fosse o chileno [Enrique] Osses. De qualquer maneira, confiamos nas arbitragens. Gostaria que fosse um sul-americano para que os jogadores se pudessem entender com o árbitro”, defendeu Matías Lammens, ao indicar o nome do oficial que tomou conta do Real Madrid-Cruz Azul (4-0). Mas o argentino chegou a dizer que “o mais lógico” seria que o árbitro da final “não fosse português, europeu ou sul-americano”.

Lammens não ficou por aqui. Já depois de sublinhar que a equipa está “habituada a um jogo mais físico” e que, nas meias-finais da prova, um oficial australiano “apitava falta ao mínimo toque” (os argentinos venceram o Auckland City, por 2-1), o presidente argentino lembrou-se de um jogador dos merengues. “O San Lorenzo deve preocupar-se com Pepe”, indicou. Depois até disse ao jornalista: “Já lhe dei uma manchete…” E deu mesmo. Antes, porém, e quando lhe perguntaram se o encontro seria violento, Lammens respondeu que “nenhuma das equipas se tem de preocupar”.

O desportivo Marca, contudo, adiantou que Pedro Proença é o árbitro preferido pelo Real Madrid para apitar a final. O resto, diz, Matías Lammens, é lobby. “Ninguém pode desconhecer o poder [do clube espanhol] quanto à capacidade de lobby e o hábito de jogar este tupo de torneios. Claro que nos superam, mas todas as reclamações devem ser escutadas. Se a FIFA cai no erro de escutar o mais poderoso incorreria num erro muito grave”, argumentou o argentino.

A escolha da entidade que gera o futebol mundial deverá ser conhecida ainda esta quinta-feira. Pedro Proença, neste Mundial de Clubes, já esteve em três partidas: serviu de quarto árbitro no encontro em que o Auckland City derrotou o Athletic Tetouan, apitou o ES Sétif-Auckland City (0-1) e, na quarta-feira, voltou a ser o quarto oficial no ES Sétif-Wanderers FC (5-4, após penáltis).

Pedro Proença fez depender da prestação nesta competição a decisão de abandonar, ou não, a arbitragem. “Assim que chegar de Marrocos, e após conversar com Fernando Gomes, anunciarei a minha decisão”, garantiu a 2 de dezembro, antes de partir para o Mundial de Clubes. O português, na altura, estava “muito desgastado” com “mais de 20 anos” a correr, apitar e tomar decisões no relvado. Veremos se por lá decide continuar caso não consiga estar, com Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão e Pepe, na final desta prova.

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