Quatro prisioneiros afegãos detidos há mais de dez anos na prisão de Guantánamo, em Cuba, vão ser repatriados, disse o Departamento da Defesa norte-americano este sábado, numa tentativa de acelerar as transferências de presos e o encerramento da prisão, segundo a Bloomberg.

Os afegãos foram libertados na sexta-feira. Em outubro, o recém-eleito presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, pedira a libertação dos detidos. Segundo o Washington Post, fontes da Administração Obama dizem que esta repatriação é uma prova “da confiança” que no novo Governo de Cabul.

Os processos de Shawali Khan, Khi Ali Gul, Abdul Ghani e Mohammed Zahir foram analisados para se saber se podiam sair de Guantánamo. Uma repórter do jornal Miami Herald, Carol Rosenberg, disse à NPR que estes prisioneiros encontravam-se numa lista, aprovada por Obama em 2010, de homens a serem libertados.

Zahir foi preso por suspeita de posse de armas e substâncias perigosas, incluindo urânio, que, de acordo com documentos apreendidos quando este foi detido indicavam que seria utilizado em armas nucleares. Documentos secretos revelados pelo WikiLeaks mostram que Gul era acusado de ter “planeado e executado ataques contra forças norte-americanas”, Khan era apontado como sendo autor de operações terroristas e que Ghani admitiu estar envolvido num ataque às forças americanas no aeroporto de Kandahar em 2002.

“Os Estados Unidos coordenaram-se com o Governo da República Islâmica do Afeganistão para garantir que as transferências decorriam com a segurança e o tratamento humanitário apropriados”, disse a Defesa norte-americana num comunicado.

O Washington Post acrescenta, no entanto, que os dois países não iniciaram ainda discussões sobre o destino dos oito detidos afegãos que continuam em Guantánamo.

Ao longo deste ano, a administração Obama transferiu 23 dos detidos na prisão norte-americana que o presidente norte-americano prometeu encerrar e onde ainda se encontram 132 prisioneiros. Espera-se que antes do final do ano sejam transferidos mais, segundo o Washington Post.

O Uruguai, a Eslováquia, a Geórgia, a Arábia Saudita, a Argélia e o Kuwait foram os países que aceitaram os prisioneiros transferidos este ano.