As declarações de José Sócrates já tiveram um resultado: a discussão sobre o direito ou não a fazer declarações (ou entrevistas) aos meios de comunicação social. Do lado da justiça, o argumento é o de que as respostas, como as que deu à TVI, servem para manipular a investigação. Do lado de José Sócrates, o advogado chama ao cliente o direito a falar. E há um terceiro interveniente, que se põe do lado do ex-primeiro-ministro: Mário Soares pede ao Presidente da República que se pronuncie sobre o caso.

Num artigo publicado no Jornal de Notícias, o ex-presidente da República, que já se pronunciou várias vezes sobre o caso, pede agora a intervenção de Cavaco Silva. Diz Soares que “o Presidente da República, que devia ser responsável por Portugal, nunca [disse] uma única palavra sobre o caso Sócrates. Quanto mais não seja pela flagrante violação do segredo de Justiça” e por isso, finaliza: “Que espera o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, para, em nome dos portugueses, intervir quando dentro de poucos meses o poderão julgar a ele quando terminar o seu mandato presidencial?”.

No artigo que intitulou “O meu amigo Sócrates”, Mário Soares diz que o que está a acontecer ao antigo chefe de Governo “é algo de inaceitável e infamante” tudo porque, diz “não há “uma única prova contra um homem que tantos serviços prestou a Portugal”.

“Porquê? Porque não há justiça em Portugal infelizmente e o Presidente da República, que devia ser responsável por Portugal, nunca ter dito uma palavra sobre o caso Sócrates. Quanto mais não seja pela flagrante violação do segredo de justiça”

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A discussão sobre o direito ou não de conceder entrevistas está na ordem do dia. Mas se José Sócrates continua a conceder declarações – o advogado insiste em dizer que não são entrevistas -, as palavras do ex-primeiro-ministro, não agradam ao Ministério Público. De acordo com o Diário de Notícias, o juiz de instrução Carlos Alexandre e o procurador do caso, Rosário Teixeira, não estão de acordo com as entrevistas dadas pelo preso preventivo mais conhecido do país, e a base da argumentação para a rejeição de entrevistas é a manipulação que o arguido quer fazer da investigação.

Acrescenta ainda o jornal que as declarações que José Sócrates fez à TVI podem ainda levar à abertura de um inquérito pelo Ministério Público por violação do segredo de justiça.

Argumentação contrária tem o advogado do ex-primeiro-ministro. Pedro Delille, um dos advogados de Sócrates, garantiu no sábado aos jornalistas que José Sócrates “nunca foi impedido” de dar entrevistas. “Não há nenhuma decisão do diretor geral” dos Serviços Prisionais nesse sentido, frisou, confirmando que o ex-chefe de governo socialista formulou um pedido para conceder uma entrevista, que não obteve, “até agora”, resposta.