Tudo começou há 15 anos, quando surgiram os primeiros planos para a ampliação do Museu da Torre de David na cidade de Jerusalém. À medida que os técnicos foram trabalhando, escavando camada após camada, aquela que deveria ser uma mera avaliação do terreno transformou-se numa verdadeira escavação arqueológica. Debaixo de um edifício adjacente à Torre de David, os arqueólogos depararam-se com as ruínas do local onde se acredita ter acontecido uma das cenas mais famosas do Novo Testamento — o julgamento de Jesus. Agora, 15 anos depois da início das escavações, o local está finalmente acessível ao público.

O edifício, que tinha sido utilizado como prisão quando a cidade estava sob o domínio otomano e britânico, estava abandonado há vários anos. Os arqueólogos, enquanto escavam o local, descobriram vestígios das paredes e do sistema de esgotos subterrâneos daquele que acreditam ter sido o antigo palácio construído pelo rei Herodes, onde Jesus terá sido julgado perante Pôncio Pilatos, governador romano do território da Judeia. Para além disso, foram também encontrados outros vestígios, que ajudam a traçar um perfil cronológico da cidade de Jerusalém ao longo dos tempos. Para Amit Re’em, diretor da equipa da equipa de arqueólogos que há mais de dez anos escava o local, a prisão é “uma peça importante no antigo puzzle de Jerusalém e mostra a história da cidade de uma maneira clara e única”, disse ao Washington Post.

Apesar da sua importância arqueológica, a nova descoberta tem particular importância para os milhares peregrinos que visitam todos os anos Jerusalém. “Esta é uma descoberta muito importante para os cristãos que dão importância ao rigor dos factos históricos”, afirmou ao jornal norte-americano Yisca Harani, uma especialista em temas ligados à história do cristianismo, nomeadamente em peregrinações à Terra Santa. “Mas, para os outros que visitam Jerusalém pelo exercício mental é indiferente, desde que a viagem termine no Gólgota”, o local da crucificação de Jesus.

O trajeto ligado ao julgamento e crucificação de Jesus, a Via Dolorosa, tem sofrido várias alterações ao longo dos tempos, dependendo de quem governava a cidade e do que julgava ser mais importante. Para Harani, é provável que o trajeto ainda não tenha encontrado a sua forma definitiva, já que muitos investigadores continuam à procura de evidências históricas relacionadas com os relatos da Bíblia.

As ruínas do palácio de Herodes estão acessíveis ao público através de visitas guiadas organizadas pelo museu. Estas duram duas horas e custam entre 9,60 euros (para adultos) e 4,80 euros (para crianças e estudantes).