Ação, reação. Um ataque a um jornal é um ataque à liberdade de expressão. O ataque ao jornal Charlie Hebdo, que matou 12 pessoas – 10 jornalistas e dois polícias -, está a gerar um movimento de união e solidariedade em todo o mundo. Muitos desenhadores inundaram a internet com cartoons de homenagem aos jornalistas falecidos e os meios de comunicação estão a publicar tomadas de posição, face à situação.

Se está a utilizar as redes sociais Facebook ou Twitter, muito provavelmente já encontrou uma imagem que diz “Je Suis Charlie” com fundo a negro – igual à que aparece no topo deste artigo. Mas este é só um dos exemplos.

A revista norte-americana New Yorker, conhecida pelos seus cartoons, publicou no Twitter uma sátira à motivação do ataque – a utilização do Islão como tema de humor. Então, qual é a única forma de não ferir egos? Um cartoon em branco.

(Por favor, desfrute deste cartoon culturalmente, eticamente, religiosamente e politicamente correto de forma responsável. Obrigado.)

Este desenho não foi a única homenagem da revista. “Este é um momento perigoso para França, tanto no sentido imediato – há terroristas armados escondidos na capital – tanto a longo prazo porque as decisões que uma nação faz num momento de terror não são sempre as melhores, para ninguém. ‘O amor é mais forte que o ódio’, como escreveu a Charlie Hebdo anos atrás – e o que faz esta frase ganhar significado, e não um enchimento de ar num escritório – é lembrar quem tu és”, escreveu Amy Davidson, jornalista da New Yorker, num texto que analisa o que acabou de acontecer em França.

O jornal francês Liberation publicou no Twitter, há duas horas, a capa do jornal para quinta-feira. A mensagem é clara: na capa está escrito “Nós somos todos Charlie” e na contracapa aparece o último cartoon que Charb, um dos desenhadores que foi morto durante o ataque, criou.

Por sua vez, o jornal Le Monde publicou no Twitter um desenho com a mensagem: “Todos os nossos corações estão com o Charlie Hebdo.”

O cartoonista Zep, que colabora também o jornal Le Monde, prestou homenagem aos seus antigos colegas de profissão através da linguagem que partilhava com estes: o desenho.

O jornal britânico Independent pediu ao cartoonista da casa, Dave Browns, para prestar homenagem ao que se passou em França.

A embaixada dos Estados Unidos da América em França alterou a sua fotografia de apresentação no Twitter para a imagem que circula nas redes sociais “Je Suis Charlie”.

US EMB F

A contribuição do desenhador argelino Ali Dalem

 (Deus é humor.)

A reivindicação do cartoonista Boulet.

(Os patos vão voar sempre mais alto que as armas.)

Ruben L. Opphenheimer, desenhador holandês, inspirou-se nos ataques terroristas, a 11 de setembro de 2001, às torres gémeas, para criticar os acontecimentos do dia de hoje.

James MacLeod

Joep Bertrams

David Pope

https://twitter.com/sicevis/status/552849023858900992

(Às armas companheiros.)

Já em Portugal, o semanário Expresso publicou uma tomada de posição sobre o ataque ao Charlie Hebdo. “Atacar a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão não é apenas querer amedrontar os que, pela sátira e pela informação, revelam e confrontam as violências do mundo em que vivemos”, lê-se na mensagem.