O Governo francês decidiu colocar dez mil soldados nas ruas, mais cinco mil polícias a vigiar escolas judaicas, conta a BBC. As medidas chegaram depois de uma reunião entre François Hollande, o primeiro-ministro, Manuel Valls, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, e os chefes da polícia e dos serviços secretos, procurando reforçar a vigilância na cidade após os ataques terroristas da última semana.

Um vídeo de Amedy Coulibaly, o homem que matou uma polícia e foi o autor do sequestro que vitimou quatros pessoas num supermercado, terá sido o mote para as medidas. No vídeo, disponível no YouTube, Coulibaly associa-se ao Estado Islâmico e justifica os atentados na capital francesa.

A mobilização das tropas e polícias terá como destino os locais vulneráveis e eventualmente simbólicos, conta o Guardian. No seguimento do sequestro num supermercado judaico, o Governo optou por enviar polícias para controlar 717 escolas judaicas, anunciou o ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian. Este anúncio chega depois de o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, ter afirmado que Amedy Coulibaly terá tido outras pessoas a ajudá-lo. A companheira de Coulibaly, Hayat Boumedienne, foi prontamente ligada a estes dois casos e, por isso, está a ser procurada pela polícia francesa. O ministro dos Negócios Estrangeiros turco disse, segundo o Guardian, que Hayat Boumedienne chegou à Síria há mais de uma semana. Para lá chegar viajou de Madrid para a Turquia, onde chegou no dia 2 de janeiro.

“Não só há ainda ameaças, como também pistas que temos de explorar, que estão associadas a estes ataques”, explicou o primeiro-ministro, Manuel Valls, numa entrevista à BFM TV, citada no Wall Street Journal. “A caça continua. (…) Nós pensamos que um dos indivíduos tinha um cúmplice. Nós achamos definitivamente que há cúmplices.”

O ataque à redação do Charlie Hebdo e o sequestro num supermercado mataram 16 pessoas. A França chorou, uniu-se e saiu à rua ontem, domingo, numa marcha histórica com mais de um milhão de pessoas a desfilar na capital gaulesa. A elas juntaram-se 40 líderes políticos, como David Cameron, Angela Merkel, Benjamin Netanyahu e Mahmoud Abbas. Pedro Passos Coelho e Assunção Esteves representaram Portugal. No resto do território francês acredita-se que tenham saído às ruas qualquer coisa como quatro milhões de pessoas. O povo gritou “liberdade” e vincou que não tem medo.