As eleições gregas do próximo domingo estão a agitar as águas na Europa e nos últimos dias, vários têm sido os representantes europeus a admitir melhores condições para a dívida grega, um dos principais pontos do programa do partido da esquerda Syriza que lidera as sondagens. O último foi o ministro francês das Finanças. Michel Sapin, em entrevista ao Financial Times, defendeu que a Europa devia preparar-se para negociar com Alexis Tsipras, caso este ganhe as eleições, uma restruturação da dívida grega ou uma extensão dos termos do resgate financeiro.

As declarações do ministro francês acontecem a uma semana das eleições na Grécia. Disse Sapin ao Financial Times (link para assinantes), que seja qual for o resultado das eleições no domingo, os líderes europeus deviam respeitar o próximo líder grego e preparar-se para a mesa das negociações.

“Qualquer que seja o resultado das eleições, é absolutamente justo e legítimo que devem existir negociações entre a União Europeia e o governo grego”, defendeu o francês que acrescentou que “o importante é a estabilidade da zona euro”.

Ora para manter o euro estável, o responsável das finanças francês tem uma visão mais negocial do que a apresentada por outros líderes como o ministro alemão das finanças Wolfgang Schäuble ou o primeiro-ministro finlandês, Alex Stubb. Disse Sapin que “é claro que a Grécia tem de continuar a fazer reformas, mas eles já fizeram muitas reformas e nós temos de mostrar solidariedade dentro da zona euro”.

Schäuble disse a semana passada ao Der Spiegel que independentemente do que os gregos decidirem, não será oferecido um alívio no resgate e Alex Stubb garantiu que dirá “não” a qualquer negociação da dívida grega e que os gregos devem respeitar as condições do resgate que termina no final do mês de fevereiro.

No entanto, os gregos contam já com uma garantia: o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, já disse que a Grécia não sairá do euro. “A Grécia não sairá da zona euro. Não vamos empurrar a Grécia para fora da zona euro”, disse no final da semana passada em Paris.

Já esta segunda-feira, em declarações à Reuters, Juncker voltou a dizer que “a Europa apoiará a Grécia”, mas acrescentou que espera que a Grécia mantenha os compromissos assumidos com os parceiros: “Qualquer futuro governo eleito na Grécia terá de respeitar os compromissos já assumidos e manter o caminho de reformas e de responsabilidade fiscal”.

Na Irlanda, há noticias de que o ministro irlandês das finanças, Michael Noonan terá admitido, numa reunião com embaixadores realizada à porta fechada, participar numa conferência dos países do sul, Espanha, Grécia, Portugal e Irlanda, proposta por Alexis Tsipras, para uma posição conjunta sobre a dívida pública. A admissão não terá sido confirmada pelo Governo e a conferência não agrada ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Christine Lagarde, diretora do fundo, não rejeita liminarmente – também não é efusiva. Numa visita a Dublin, Christine Lagarde disse que “abordagens colectivas a nível europeu são sempre boas”, mas que é preciso ter cuidado quando se fala de rever compromissos assumidos.